segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A PRIMA (Parte 1)

Ainda me lembro bem de quando as irmãs Camila e Carina se mudaram para a minha rua. Logo ao descerem do carro do pai, aquelas duas morenas já causaram um silêncio total entre nós meninos, que no momento formávamos uma roda de papo após o sagrado futebol. Camila, com seus dezessete anos, e Carina, com quinze, exibiam uma beleza tão estonteante que era difícil se decidir para qual das duas olhar.

Ambas carregavam na pele uma cor morena avermelhada de praia. Camila foi logo apelidada por nós de “gostosinha”, porque possuía um corpo com medidas maiores que as de Carina, mas nada que a fizesse menos ou mais bonita que a irmã. Carina, em compensação, trazia mais elegância no caminhar, restando a esta o carinhoso apelido de “magrinha”.

Aquela casa amarela, bem em frente a minha, abrigava anteriormente um casal de velhinhos. Um tédio. Sendo assim, é lógico que a chegada das duas irmãs faziam com que os nossos corações batessem com mais esperança. Ora, se tratava, sem dúvida alguma, das meninas mais bonitas daquela rua, o que causou até certo ciúme nas outras meninas. Mas isso foi por pouco tempo, porque, além de lindas, Camila e Carina eram meninas agradabilíssimas e logo conquistaram a amizade das que ali residiam.

Duas semanas depois daquela mudança já era possível ver o aglomerado de jovens frente ao portão de Camila e Carina. Enquanto as meninas da rua enchiam as irmãs de fofocas – além de, logicamente, queimar o filme dos meninos –, a disputa para ver quem de nós “fisgaria” primeiro uma daquelas morenas se mostrava acirrada. Éramos nove meninos, sendo que os quatro mais novos preferiam a Carina, e os cinco mais velhos a Camila. Eu estava no “time” da Camila.

Todos ali tinham plena capacidade de conquistar os novos corações da rua. Éramos meninos bonitinhos, mas cada um com a sua beleza própria. Sem dúvida, o que tinha ali mais chances com a Camila era o Bernard, que, além de ser um moreno de olhos verdes, era surfista. Já no time da Carina, o mais cotado ali era o Guga, que, se já não bastasse ser o “queridinho” das meninas, era um moleque divertidíssimo – Carina já dava gargalhadas eufóricas em sua companhia.

Algumas semanas daquele verão passariam até que Bernard desse o primeiro beijo em Camila. Ao restante dos concorrentes, incluindo este que vos fala, restara apenas uma tristeza sem fim. Fazer o quê? Tínhamos a noção de ter sido uma batalha justa, porque nós meninos éramos muito amigos um do outro. Não houve “puxada de tapete”, sabe? Bernard levou a morena porque tinha de ser ele mesmo.

Mais alguns dias se passam e o pequeno Guga, enfim, toca os lábios da linda Carina. Era de se esperar. A Carina não sossegava até que o Guga aparecesse em seu portão. “Ai, cadê aquele menino engraçado?”, dizia Carina todas as noites. Essa estava no papo.

Dessa forma, as noites no portão das irmãs passaram a ter um clima mais de romance. Tínhamos então certo cuidado em não ficarmos todos ali, porque não queríamos atrapalhar os beijos (sempre às vistas de D. Kátia) de Carina, Guga, Camila e Bernard. Íamos para lá somente depois das dez, porque julgávamos já ser o suficiente para os casais.

* * *
Durante aquelas noites quentes regadas a sorrisos e esperanças juvenis, em algum momento:

- Camila – dizia Carina –, a Dani acabou de ligar para mamãe! Disse que vai passar o carnaval aqui com a gente!

- Ai, que máximo!

- Quem é Dani? – eu perguntava à Camila.

- É uma prima nossa.

- Ah...

Quem dos meninos ali disser não ter imaginado a tal da Dani como uma coisa de outro mundo – sendo esta prima daquelas meninas –, mente. A partir daquela declaração de Camila, a expectativa de todos ali estava focada unicamente na chegada de Dani, que ocorreria dali a uma semana.

É. Ainda me lembro como se fosse ontem. A chegada da Dani à casa de Camila e Carina não poderia ter sido em melhor momento: numa sexta à noite, quando estávamos todos ali em frente ao portão. A Dani descia do táxi portando uma mochila enorme. Camila e Carina correram até Dani para um abraço daqueles. O abraço foi emocionante, mas atrapalhou demais a nossa primeira impressão sobre Dani – não conseguíamos vê-la direito, porque as irmãs se amontoaram sobre a prima.

Findado o abraço, Dani foi até à mala do táxi pegar sua prancha de bodyboard. Nem preciso dizer que, diante de tal cena, o também surfista Bernard ficou boquiaberto, não é?

Dani era uma branquinha bronzeada ainda mais linda que Camila e Carina. Era mais velha também, tinha seus dezoito anos. Atleta que era, Dani exibia pernas grossas e torneadas, um abdômen rígido e seios de médios para pequenos. Ela usava um short esportivo curto e uma blusa branca com estampas que remetiam ao mar, essas coisas. Os cabelos eram longos, bem lisos e de um loiro bastante afetado pelo sol.

- Dani – dizia Camila –, essa aqui é a galera. Galera, essa é a minha prima Dani.

Boquiabertos, nada dissemos.

- Oi, gente, beleza? Vocês me desculpem. É que eu estou morta de cansaço. Preciso de um bom banho e uma cama. Amanhã a gente se conhece melhor, pode ser? – dizia a simpática Dani a sorrir.

“Claro que podia”, eu pensava.

No dia seguinte, logo bem cedinho, com uma caneca de Nescau numa das mãos e um sanduíche na outra, fui até o meu portão. O sol já fazia a rua brilhar, mas quem brilhava mesmo era Dani, que, na varanda da casa, numa disciplina quase que sensual, fazia uma série interminável de abdominais. “Meu Deus...”, eu pensava diante de tal cena, enquanto percebia que o verão estava apenas começando.

[Continua]

5 comentários:

Nathalia disse...

preciso dizer que AMO esses contos? me sinto tão adolescente! haahahaha

eeeeeeeeeeeeeeeeee! conto com continuação! =)

beeeeeeeeeeijos

Vanessa Sagossi disse...

Igualmente, Nathalia!
:)
continuaa...

Vanessa Sagossi disse...

Igualmente, Nathalia!
:)
continuaa...

aninha disse...

Gostei, quero ler a continuação logo!! *-*

bjs

ALIMAC disse...

Demais hein Luciano! Gostaria de escrever contos como vc, sabe.

Vou ler a parte 2 agora x)

www.teoria-do-playmobil.blogspot.com