sexta-feira, 7 de maio de 2010

A DECLARAÇÃO SEGUNDO LUIZA

Leia antes A Declaração Segundo Caio

Era como um ritual. Chegar da faculdade, tomar um bom banho, fazer um lanche bem gostoso e sair correndo para o curso de inglês. Logicamente que não era pelo fato de eu ter de sair “correndo” que eu deixaria de perder alguns minutos para me arrumar. É que lá no curso tem um rapaz, o Caio, que fazia questão de elogiar os meus vestidos, meus sapatos... Até os meus brincos ele reparava. Não, não se trata de ego inflado, nada disso. É que era tão fofo da parte dele... Ele achava que eu não via, mas ele me observava bastante. O pior é que eu gostava, e muito.

O Caio é aquele tipo de cara que mexe com você nos gestos mais simples, sabe? Ele vinha com sua estatura mediana, vestindo sempre uma malha de estampas engraçadas, um jeans e um tênis, como quem não quer nada, e, de repente, soltava um “que perfume gostoso, vem de ti?”. Eu desmontava. Disfarçava. Mas desmontava. A maneira como ele deixava o cabelo desarrumado lhe dava um ar despojado, mas no exato limite da tolerância feminina. Isso! O Caio é aquele tipo de homem que te ganha por andar no limite das impressões, entende? Ele sabe cativar uma mulher, mas sem ser um grude chato. Ele sabe ignorar também, quando quer, mas sem magoar profundamente. Seus olhos castanhos claros, da mesma cor do cabelo, me olhavam sempre com muito carinho; eu sentia isso. Mas o fato é que ele mantinha um namoro de mais de cinco anos, se não me engano. Sendo assim, nunca demonstrei o meu real interesse. Não acho certo.

O meu medo maior era o de Caio e eu nos tornarmos muito amigos, a ponto de nunca termos a chance de... nos beijarmos. Sim, eu sabia que um relacionamento de cinco anos era um rival e tanto, e em nenhum momento lutei para que Caio o terminasse. Eu apenas, digamos assim, me sentia disposta a acolhê-lo imediatamente após um possível fim daquele namoro. Mas eu sentia que nossa amizade só tendia a aumentar a cada dia. O Caio era um fofo, meu Deus, e eu, sim, estava me apaixonando por ele a pequenas doses diárias, não minto. “Se ele um dia se declarasse...”, eu pensava.
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Foi quando tive o desprazer de encontrar, pela primeira e única vez, a tal namorada do Caio, a Daniele. Não sei como ela me achou. Só sei que estava eu na cantina do curso quando:

- Luiza? – dizia Daniele.

- Sim.

- Conhece o Caio?

- Que estuda aqui?

- Sim. Ele mesmo.

- Sim, o conheço. Por quê?

- Eu sou a Daniele, namorada dele, e precisava lhe entregar um bilhete.

Daniele me entregava um pedaço de papel escrito à caneta. E saía sorrindo.

Confusa, rapidamente li o bilhete.

O Caio pensa que eu não sei. Fique longe dele, Luiza. Está me causando problemas.

Daniele.


Gelei. Não sabia o que fazer. A Daniele agiu de forma tão fria e estranha. Naquele momento eu só pensava em me distanciar daquilo tudo. Pedi um suco de laranja e fiquei a esperar o Caio – ele sempre me encontrava por ali, antes de subirmos para a sala.

- Olá – dizia Caio ao chegar.

- Que bom que chegou cedo, Caio. Precisava mesmo falar contigo – eu dizia.

- Pois não. Diga.

- Eu não sei bem como dizer, sabe? Eu tenho muito medo do que pode vir a acontecer depois desse nosso papo.

- Nossa! Fiquei curioso. Prossiga.

- É o seguinte: eu sei que você morre de amores pela sua namorada, a...

- Daniele – ele me completava.

- Isso, a Daniele. E eu, pelo amor de Deus, Caio, acredite em mim, não quero jamais estragar um relacionamento tão bacana.

- Ora, mas por que diz isso?

- Bem, vou direto ao assunto. Acho melhor nos distanciarmos, Caio.

- Por que isso? Ainda não entendi. Somos amigos, não somos?

- Caio, eu não sei como dizer. Só sei que será melhor para nós dois.

- Luiza, o que é isso? Não está sendo leal comigo. Diga-me realmente o que sente. Só assim poderei aceitar ou não esse distanciamento. Você está gostando de mim? É isso? Pois fique sabendo que eu estou perdidamente apaixonado por ti, Luiza! E nada, nem mesmo a Daniele será capaz de apagar o que sinto.

Meu Deus! Quando ele falou aquilo eu não acreditei. Por que esperou tanto pare se declarar? Por que esperou a Daniele me ameaçar para dizer isso? Eu estava tão nervosa que, indo contra tudo o que planejei para um momento como esse, dizia:

- Ficou maluco, Caio?

- Sim! Maluco por ti!

- Ah... Mas... Não é nada disso, Caio. O que sinto por ti é a mais pura amizade. Eu... Ai, meu Deus... Queria me distanciar de ti porque sua namorada esteve aqui e me deixou esse bilhete.

Sem jeito, eu me levantava, jogava o bilhete sobre a mesa e saía. Ainda o vi lendo o bilhete e passando a mão sobre a cabeça.

De lá para cá, não falei mais com o Caio direito. Ainda o quero, sei disso, mas não estou a fim de me meter em confusão. A Daniele me pareceu uma psicopata. Tive medo, muito medo.

Enquanto a Daniele estiver na vida dele, prefiro direcionar meus sorrisos a direções incertas. Embora meu coração ainda esteja disponível a uma segunda tentativa por parte dele...

6 comentários:

Letícia Machado disse...

Muitos Aplausooos!! Você é ótimo...entrei no blog cedo para ver se já tinha a segunda parte do conto...e adooorei...agora quero a versão da Daniele hein!!

Bjs e desde já esperando o próximo...

P.S: Não demooore!!!!hsauhsuahuash

nathalia disse...

aaaaaaaaaaaaaaaaaai amei!
como a luiza é fofa!
maaaaas, como havia dito, td mundo ta se ferrando nessa história! hahaha

bjsssssssssss

Luciano Freitas disse...

Letícia e Nath, segunda-feira eu posto "A Declaração Segundo Daniele".

:)

Aninha disse...

Nossa, que situação delicada, para os três. É difícil "escolher" um lado, pois da pra entender o dos três. Tomara, que acabe de forma que ninguém fique mal, apesar disso parecer complicado.

bjs

Yara Lopes disse...

Que perfeeeito
Ameeei

Continuação urgeeente Luciano

Vanessa Sagossi disse...

Ahh, que triste para você Luiza, mas tomara que pense em outra coisa. O cara não presta. Quem te garante que isso não vai acontecer entre eles mais cedo ou mais tarde??
eu hein...
Vamos à declaração de Daniele.