sexta-feira, 3 de setembro de 2010

GABRIELA - O Labirinto Particular de Lysa - Final

O máximo que as amigas usaram naquele sábado foram calcinhas. Gabriela aproveitava cada segundo dentro da privacidade de Lysa; não acreditava no grau de amizade e confiança que conquistara em tão pouco tempo. Lysa agia como se estivesse devidamente vestida, não se importava – o que se esperar depois de uma masturbação exibicionista como aquela, horas antes? Gabriela chegou a pensar no absurdo de Lysa estar ainda sob efeito do álcool da noite anterior, mas logo descartava tal hipótese.

Envoltas em papos interessantíssimos, as amigas cozinharam, almoçaram, ouviram música, navegaram na Internet, assistiram a filmes... Um laço ainda mais forte tornava-as cúmplices uma da outra.

Em alguns momentos, Gabriela chegou a se abrir a respeito de sua estranha relação com a mãe. Era quando Lysa sentia pena da amiga e a abraçava a fim de consolá-la. Tais abraços, inevitavelmente, faziam com que os seios de ambas se encontrassem e, antes que Lysa pensasse em os separarem, Gabriela os posicionavam de maneira ainda mais embaraçosa. Gabriela sabia olhar no olho quando esse tipo de situação acontecia.

Lysa se via como que mergulhada num lindo e obscuro lago – quanto mais fundo resolvia nadar, mas gosto tinha pelo que descobria. Nunca em sua vida passara uma tarde tão agradável na presença de uma amiga. Nunca! E o que dizer da interação entre o seu corpo e o de Gabriela? Lysa sentia a liberdade de não só poder abraçar a amiga, mas, por que não?, beijá-la, quando bem entendesse – embora conflitos ainda surgissem em sua cabeça.

- Você é tão diferente, Gabriela - dizia Lysa.

- O que quer dizer com isso?

- Não sei bem como, mas sinto que você me modificou muito!

- Para melhor, espero.

- Sim, sinto que para melhor! Nossa, quando imaginei beber daquele jeito, como ontem? E me divertir daquela forma? E papear assim, nua? Nunca imaginei!

- Sente-se bem?

- Muito, Gabriela. Sinto-me feliz ao seu lado.

- Que bom, Lysa. Eu também me sinto muito bem ao seu lado.

A mão suave de Gabriela parte para um carinho no rosto de Lysa, que sorri diante de tal atitude. Gabriela se vê forçada a aproximar seus lábios dos da amiga; sente que é “O momento”. Mas é travada no meio do caminho quando Lysa diz:

- Vai me beijar, Gabriela?

Gabriela não entende a entonação da amiga; não sabe se deve prosseguir ou não. Tem medo de estragar tudo, mas, mesmo assim, pergunta a sorrir:

- O que você acha?

- Você é maluca? Não estamos na pista de dança!

- Eu sei disso. Mas digamos que estivéssemos. Você deixaria eu te beijar? – dizia Gabriela tão próxima a ponto de Lysa sentir sua respiração.

- Que papo estranho, Gabriela! Está falando sério?

A seriedade com que Lysa emitira tal pergunta faz com que Gabriela se desarme e volte à estaca zero:

- Estou brincando, sua roceira!

- Ah, bom!

Gabriela queria muito tê-la, mas, caso não a tivesse, que pelo menos não perdesse aquela amizade tão bacana. Cautela. Mas vê-la nua para lá e para cá parecia não ser mais o bastante.

Mas o que Gabriela não sabia era que dentro de Lysa um monstro começava a ganhar forças: a dúvida.

Após o “quase beijo”, Lysa se calou e, nitidamente, procurou por assuntos menos intensos. Chegou a ensaiar a procura de uma blusa para vestir, mas – talvez devido à própria dúvida que começava a lhe consumir – se manteve.

* * *
No céu, as primeiras estrelas já se faziam presentes. As amigas haviam adormecido por volta das três da tarde e agora despertavam meio que perdidas em relação à hora.

- Que horas são? – dizia Lysa.

- Seis e quinze – dizia Gabriela ao olhar o relógio sobre a cama.

- Da manhã?!

- Não, louca! Da tarde!

- Ah, sim. Pensei que já era domingo.

- Doida. Escuta – dizia Gabriela ao notar a luz que vinha do notebook –, você o deixa ligado direto?

- Sim. Nos fins de semana.

Gabriela se apossava do aparelho e começava a digitar o endereço de uma espécie de YouTube pornográfico. Lysa, ao notar as primeiras figuras carregadas na tela, diz:

- Que isso, menina?

- Quer ver vídeos de quê, Lysa?

- Como assim “de quê”?

- Ué, cada um curte suas coisas, entende? Sexo oral, sexo anal, essas coisas.

- Gabriela?! Que louca! Como descobriu essa página?

- Google! Já ouviu falar?

- Boba!

- E então? Vai de quê?

- Ah, eu sei lá. Escolhe você.

- OK.

Gabriela, maliciosamente, escolhe um vídeo, digamos, soft, no qual um lindo casal pratica um sexo isento de cenas que poderiam ser julgadas por Lysa como “nojentas”. Tiro e queda!

- Caralho, Gabriela!

- O que foi?

- Porra, eu estou ficando com tesão!

- Mas o filme mal começou, Lysa!

- Mesmo... assim...

Gabriela apenas se acariciava e observava Lysa, que, olhando fixamente para a tela do notebook, já se masturbava de forma frenética.

- Nunca fez vendo filmes? – dizia Gabriela com malícia.

- Nããão...

- E sem as mãos?

- Cooomo? Sem as mãos, Ga... briela?

- Assim, olha!

Gabriela substitui rapidamente os dedos de Lysa pelos seus, para loucura da amiga, que, em meio àquele clima, não demonstrou resistência.

- Que iiiissooo, Gabrieeeela? – dizia Lysa próxima ao seu segundo orgasmo do dia.

Gabriela aproveitou os olhos fechados de Lysa para contemplar sem medo o contorcer dos músculos.

- Gostou? – dizia Gabriela.

- Você... é maluca!

Gabriela ia até o banheiro lavar as mãos, deixando uma Lysa ainda mais pensativa e confusa entre os lençóis. “Meu Deus do céu. O que foi que acabei de deixar Gabriela fazer comigo?”, pensava Lysa. O vídeo ainda rodava no notebook e aquilo já nem fazia tanta importância – Lysa só pensava no que acontecera.

- Gostou, né? – dizia Gabriela ao retornar ao quarto.

- Louca!

- Por quê?

- Você é lésbica, Gabriela?

Gabriela pensou por alguns segundos e, sabe-se lá o porquê:

- Não.

- E por que fez isso?

- Você faz muitas perguntas, Lysa. Precisa viver mais e perguntar menos. Foi bom?

- Foi, né!

- Isso é o que importa.

O telefone de Lysa toca.

- Alô!

- Lysa?

- Sim. Quem fala?

- Aqui é o Diego. Nós nos conhecemos ontem à noite, lembra?

- Ah! Claro que lembro!

- Vai fazer algo esta noite?

Gabriela não precisou de pistas para entender que se tratava daquele rapaz da noite anterior. Diante da nítida empolgação de Lysa, Gabriela respirou fundo, foi até o banheiro, se vestiu e saiu do apartamento sem que a amiga notasse.

- ...OK, Diego – dizia Lysa –, às nove! Beijos!

Lysa corria à procura de Gabriela para contar sobre o rapaz, mas logo notava a fuga da amiga. “Saiu sem falar nada. Será que foi algo que eu falei?”, pensava.

Até a hora do encontro com o tal Diego, Lysa era só confusão. Um filme passava em sua cabeça com as cenas mais intensas daquela tarde com Gabriela. Uma vontade obscura de repetir tudo aquilo lhe tomava o corpo como um veneno. Era duro confessar a si mesma, mas a verdade é que não tirava da cabeça o orgasmo que Gabriela lhe proporcionara há pouco. Sentia-se como que num prazeroso labirinto de sentimentos.

Gabriela, já no inferno de sua casa, mais especificamente em seu quarto, sozinha, apenas chorava.

[Fim]

5 comentários:

Nathalia disse...

agora a gente para e pensa: quem é mais danadinha?

hahahaha dificil, ne? rsrsrs

Luciano Freitas disse...

Escrever "Lysa23" e depois "Gabriela" foi como caminhar não no meu limite de "safadeza literária", mas no limite daquilo que entendo que esteja entre o conto erótico (que não curto, diga-se) e o conto envolvente, sensual. Escrever sobre lésbicas não é tão fácil quanto parece - ainda mais sendo o escritor homem e heterossexual. Peço desculpas àqueles que possam achar que em algum momento "errei a mão" - prometo me controlar da próxima vez. rs.

Obrigado pela leitura de sempre! Amo vocês!

Camys disse...

Gabriela não viu, mas o impacto que causou em lysa foi maior do que um orgasmo, já que a menina começara a desenvolver certas dúvidas, além disso, ela tbm conseguiu uma tarde onde os laços de ambas se estreitaram em muito, em meio há tantas intimidades.
Vejo mais vitórias da parte da Gabriela, do que motivo para chorar.

Adorei, mostrou o lado mais doce e passional da Gabriela, que já era uma pessoa admiravel em lysa23.

Com certeza aprendi muito com essa personagem hehehe...

Parabéns Luciano, GENIAL!

Kayo Medeiros disse...

Pá, muito bom! Mas cara, existe uma grande diferença entre fazer um conto erótico e um conto com erotismo. Eu gostei, por mim pode continuar escrevendo assim!

E agora, se a gente parar pra pensar, a série "Gabriela" deixa muito mais fácil de entender tudo que acontece na "Lysa". As coisas já não soam mais tão surpreendente ou inusitadas. Interessante inverter a ordem.

Kayo Medeiros disse...

Mas esse cara é um Cachorro-Quente!

*GENEAL!!*

XDDDDDDDDDDDDDDDDD