quarta-feira, 26 de novembro de 2008

SEGUNDO TEMPO

- Ele está aqui, Pâmela.
- Onde?
- Aqui na minha frente. No Jazz Bar, ora.
- Ele está sozinho, não está?
- É... – Adalberto pausava. – Não! Está com ela. Por que não acredita em mim, mulher?
- Adalberto, você tem certeza?
- Como dois e dois são quatro. Eles estão aqui e de mãos dadas. Na minha frente.
- De mãos dadas? Eu não posso acreditar!
- Acredite. Vou fotografá-los. Calma aí.

* * *
Adalberto era o melhor amigo de Pâmela. O rapaz tentava descobrir a traição do noivo da amiga, o Glauber. Na verdade Adalberto tentava apenas comprovar tal adultério aos olhos cegos e apaixonados da amiga. Adalberto já o havia flagrado com a “boca na botija” por diversas vezes. Pâmela precisava de provas, de algo mais palpável para acreditar nas descobertas de Adalberto.

Pâmela fora alertada por diversas vezes sobre as aparições acompanhadas de seu noivo naquele bar, porém, as palavras de Adalberto não lhe causavam sequer desconfiança.
- Ora, Adalberto. Ele sempre me disse. Nunca me escondeu que nas sextas ele pára no Jazz Bar com seus amigos. Ele não me trairia. Não ali.
- Pois é. Por que você não aparece lá qualquer dia?
- Não preciso, Adalberto. Eu confio no Glauber!
- E em mim não, pelo visto.
- Adalberto, você é meu melhor amigo. Você sabe disso. Mas você só pode estar confundindo as coisas. A mulher que você diz ver sempre aos carinhos com o Glauber só pode ser a Mônica Lisboa, a cantora do bar. Ela é prima grudada do Glauber.
- Eu conheço a Mônica, Pâmela. Não é ela.
- Adalberto! Chega! Por favor, amigo. Não quero brigar com você, mas deixe o Glauber em paz.
- Como quiser.

Era sempre assim que as conversas terminavam. Adalberto contava o que via, mas Pâmela fechava os olhos e os ouvidos. Talvez, por preferir conviver com a metade que prestava do Glauber, ou seja, apenas com os momentos em que estavam juntos.

Adalberto não estava enganado. Glauber mantinha, sim, um caso com uma amiga de trabalho e não media seus atos, já que não escondia carícias e beijos em pleno Jazz Bar lotado. Glauber na certa tinha noção da cegueira de Pâmela diante de sua palavra. Sabia que uma aparição inesperada de sua noiva era praticamente impossível. Adalberto sentia-se ainda pior em saber de tudo aquilo.

Certo dia, Adalberto ia até a uma loja e gastava o dinheiro que com tanto sacrifício juntara. Comprava um aparelho celular com câmera. Estava disposto a comprovar a traição de Glauber para Pâmela. Não se sentia bem com a função popularmente chamada de fofoqueiro, mas não admitia ver sua melhor amiga na condição de idiota.

Em alguns momentos, Adalberto se questionava em relação àquela fixação por tal comprovação. Perguntava a si mesmo se valia todo aquele esforço. Pensava várias vezes que aquilo não era um problema seu, porém, tudo o que atingisse direta ou indiretamente a Pâmela caía, sim, sobre seu obro. E uma vontade imensa de protegê-la logo surgia. Adalberto podia não perceber ou aceitar, mas estremecia frente àquela pequena de pele alva. Os olhos azuis, que mais pareciam duas safiras, o hipnotizavam.

- Pâmela.
- Adalberto?
- Sim, sou eu. Anote esse número. É meu celular.
- Mas você sempre foi contra celulares. Com toda aquela história de perseguição, controle, consumo consciente...
- Pois é. Mas comprei um e com câmera embutida.
- Nossa! Com câmera embutida? Não é você! Para que quer um celular com câmera?
- Para que acredite mais em mim.
- Você não está pensando em...
- Sim. Vou fotografar o seu noivo nas condições que lhe digo e você vai se livrar desse noivado que só lhe trará infelicidade, minha amiga.
- Adalberto. Deixa de ser enjoado! Você quer acabar com meu noivado? É isso? Eu sou feliz com o Glauber! Deixe-o em paz!
- Vai me agradecer por isso, Pâmela.
- Adalberto!
Adalberto desligava.

Na sexta-feira, como sempre, lá estava Glauber e sua turma no Jazz Bar. Três rapazes e duas garotas completavam sua mesa. Uma delas era a de Glauber. Adalberto ficava do lado de fora do bar e procurava o melhor ângulo para enquadrar um possível beijo. Adalberto pensava no quanto iria doer o peito de Pâmela ao ver aquela imagem. Dava uma golada na caipirinha e resolvia ligar para a amiga.

- Ele está aqui, Pâmela.
- Onde?
- Aqui na minha frente. No Jazz Bar, ora.
- Ele está sozinho, não está?
- É... – Adalberto pausava. – Não! Está com ela. Por que não acredita em mim, mulher?
- Adalberto, você tem certeza?
- Como dois e dois são quatro. Eles estão aqui e de mãos dadas. Na minha frente.
- De mãos dadas? Eu não posso acreditar!
- Acredite. Vou fotografá-los. Calma aí.

* * *
Após conseguir várias fotos, inclusive a de um beijo, Adalberto corria até a casa de Pâmela.
- Quer ver as fotos?
- Eu não acredito que você fez isso, Adalberto?
- Espere aí, Pâmela. Você não acredita no que eu fiz? Não devia acreditar no que ele vem fazendo com você!
- Mas que obsessão é essa, Adalberto? O que você ganhará com isso?
- Vou vê-la feliz de verdade, Pâmela! Você não merece aquele canalha!
- E QUEM DISSE QUE EU NÃO SOU FELIZ, ADALBERTO?
- Pâmela, veja as fotos, por favor!
- EU NÃO QUERO VER COISA ALGUMA! SAIA DA MINHA CASA!
- Eu não estou acreditando que prefere viver com uma mentira a encarar a dura verdade!
- EU QUERO VIVER EM PAZ COM O GLAUBER!
- Mas ele lhe trai, Pâmela! E da pior maneira possível! O que é viver em paz para você?
- Saia daqui, Adalberto, por favor...

Naquele instante, a porta se abria. Era Glauber. Vendo todo aquele desespero de Pâmela, o rapaz perguntava:
- O que está acontecendo aqui, Pâmela? Por que está chorando?
- Não foi nada, Glauber. Não foi nada.
- E o que faz aqui, Adalberto?
Pâmela e Glauber olhavam para Adalberto de maneira torta, cada um com seu próprio motivo.
- Nada. Estou só de passagem. A gente se vê, Pâmela. Tenham uma boa noite.

Adalberto se sentava num banco de uma praça, frente à casa de Pâmela. Ficava a observar a silhueta do casal pela janela. Glauber abraçava Pâmela e parecia contornar qualquer tipo de situação. Pâmela, num salto, rapidamente laçava o corpo do noivo com suas pernas. As luzes da sala se apagavam. Era o segundo tempo de Glauber, o primeiro tempo de Pâmela e o tempo nenhum de Adalberto.

Ao amanhecer, Adalberto se levantava do banco e, coberto pelo sereno da madrugada, seguia para casa pelo caminho mais longo. Glauber permanecia sob os lençóis e as pernas de Pâmela. Provavelmente pronto para a prorrogação.


[Continua]

* * *
Foto da Capa por: Gabriel Andrade [meinframmer].

10 comentários:

Danilo Cruz disse...

Ótimo blog, já tinha passado aqui algumas vezes. Muito, bom. Abs.

Nathalia disse...

não entendi essa... que mulher BURRA!!!!!
ai detesto isso! rsrsrs

vai ter continuação né?
por favor! esse quadro tem que mudar...

adoreiiiii!

jαnα ¦D disse...

Que mulher toooonta! Me deu até raiva...merece mesmo ser traída, é burra demais! Mas vai ter continuação né? [2] HuahuHAUhuahAHuh


Abraços
='-'=

Fabiana disse...

idiota é ela de ser burra!
idiota o noivo de ser safado!
e idiota o amigo de levar bronca e grito tentando ajudar...

ela é besta d+, lu...
hahaha


beijos!

(na prorrogação do conto vc me fala o que aconteceu) rs - piadinha lesada, hein?!

Pâmella disse...

Luciano...Realmente só temos o nome em comum....
pq ela é muito idiota...hein....srsrsr...
mais uma querendo continuação...rs..
e como sempre esse tbm ficou otimo...
bjs

Aninha disse...

que mulher idiotaaa!
da até raiva, como pode ser tão besta?! coitado do Adalberto, só querendo ajudar e ainda sai prejudicado!
muuuito bom.

bjs

Livia Queiroz disse...

Aaaaaaaaaaaah q raiva dessa mulher!!!
Tonta...idiota...imbecil...
Raiva, Raiva, Raiva!!!
Isso me revoltaaaaaaaaaa

Coitado do amigo que só tentou ajudar!
aff

Kayo Medeiros disse...

incrível, uma das poucas vezes em q esse blog esteve diante de uma unanimidade... todo mundo desceeeeeeendo o sarrafo na pâmela, tadinha dela...

mas eeeeeeeeeeu acho q esse melhor amiguinho dela aí tinha lá outras intenções também, venhamos e convenhamos. Afinal de contas, atrás de quem as mulheres vão quando estão deprimidas? (depois do chocolate gente, depois do chocolate...) Aos melhores amiga(o)s! E como não vi nenhuma melhor amiga na história, quem seria a primeira opção? exatamente!

E fora isso, acho q ela deve ter lá seus motivos pra querer continuar com o cara msm sabendo q ele traia ela. Vai ver ela teve um passado sombrio, cheio de solidão e tristeza, e prefere ficar com um cara panaca a largar dele. Ou sei lá, vai ver ela é só mulher de malandro mesmo e gosta. Vai que convida a outra pra participar?

Huuuuuuuuuu!

Mas vai ter continuação, né? [3]

Luciano Freitas disse...

huauhuhahuauhaa

meu Deus, continuação, continuação, continuação... eu tô ferrado com vcs! rs

Vanessa Sagossi disse...

Hahaha...
Mas é claro que precisa de continuação!

É verdade que a Pâmela é uma idiotaa!
Mas também é verdade que esse "amigo" tem outras intenções, fala sério, né?