terça-feira, 2 de dezembro de 2008

SEGUNDO TEMPO II (Final)

Atendendo a pedidos, posto hoje, dentro de Contos de Natal, a continuação de "Segundo Tempo". Espero que curtam!

Leia AQUI a Parte I

Depois de ver que sua amiga Pâmela não havia dado a mínima para as provas que tinha contra seu noivo, o Glauber, Adalberto resolvia distanciar-se. Que papelão. Com fotos comprometedoras da traição de Glauber nas mãos, teve de se contentar com a silhueta sensual do casal pela janela. Não estava certo. Glauber tinha uma amante e Pâmela sabia disso. Porém, a moça parecia não querer enxergar tal punhalada. Ou não se incomodava com a dor que esta causava. Punhalada? Dor? Na verdade não havia dor alguma! Ela aceitava e pronto!

Adalberto não via Pâmela há dois dias. Pâmela sabia o motivo de seu sumiço, mas mesmo assim resolvia ligar para o amigo a fim de explicações.
- Adalberto?
- Oi. O que quer?
- Calma! Apenas conversar.
- Comigo não, Pâmela, por favor.
- Quer dizer que o ocorrido vai prejudicar a nossa amizade, Adalberto?
- Esse “ocorrido” foi a maior vergonha e decepção de minha vida, Pâmela. Fique sabendo disso.
- Decepção por quê? A traída não sou eu? O cafajeste não é o Glauber? Você é apenas o meu amigo. Não tem motivos para se envergonhar ou se decepcionar.
- Ah! Eu não acredito no que estou ouvindo. Você chama o seu próprio noivo de cafajeste e se chama de traída assim, na maior naturalidade?
- Ora, Adalberto, eu...
- Não diga mais nada, Pâmela. Se você acha que merece tal destino, siga em frente. Case-se com esse cara.
- Está falando como alguém que tem ciúmes.
- Estou falando como alguém que lhe ama!
- Como é?
- Isso mesmo que você ouviu! Eu te amo, Pâmela!
- Você só pode estar brincando.
- Eu? Brincando? Não! Não mesmo! Você é quem brinca o tempo todo, Pâmela. Está brincando inclusive com a sua felicidade.
- Espere aí. Se você me ama, por que nunca me disse?
- Porque nunca tive a oportunidade de estar junto a ti sem que você tocasse no nome de seu noivo. Além disso, nossa amizade estava correndo por caminhos que tornariam cada vez mais difíceis tal declaração.
- E por que escolheu esse momento para dizer?
- Acho que um dia você precisaria saber.
Pâmela ficava em silêncio. Foram exatos trinta segundos de silêncio total.
- Não vai falar nada?
- A gente se fala, Adalberto.
Ela desligava.

Adalberto não sabia o que pensar. Não sabia o que Pâmela tinha achado de sua declaração. Poderia ter findado uma amizade ali mesmo, naquele telefonema, naquela frase. Dizer “eu te amo” nunca é normal. Ou é bom ou é ruim. Depende de quem ouve. Mas essa resposta Adalberto não tinha. Tinha apenas o silêncio de Pâmela na lembrança. “Dane-se também”, pensava Adalberto.

* * *
Dias depois, Pâmela ligava novamente para Adalberto:
- Adalberto?
- Diga.
- Nossa, que frio você.
- Diga.
- Dizer o quê, Adalberto?
- Ora, só se telefona para alguém quando há a intenção de dizer algo, não?
- É que eu quero saber se vai passar aqui amanhã. Para a ceia de Natal. Como sempre faz.
- Não creio.
- Não crê em quê? Não crê que venha ou não crê no nascimento de Jesus Cristo?
- Não creio que esteja me convidando, Pâmela.
- Não creio que vá negar, Adalberto!
- Pois creia.
- Não creio!
- O Glauber estará aí?
- Não.
- Nisso eu creio.
- Por quê?
- Porque ele nunca está aí! A menos que queira satisfazer suas necessidades sexuais.
- ADALBERTO! ISSO É JEITO DE SE FALAR?
- Não. Mas também não é jeito de se agir com a própria noiva.
- Olha, o convite está feito. Caso queira aparecer, apesar de tudo, será bem vindo.
- Passará sozinha?
- Sim.
- E por que o Glauber não estará contigo?
- Passará com a família dele.
- Sua futura família, não?
- Não mais. Eu não queria lhe dizer, mas nós terminamos.
- Sério?
- Sim.
- E por que não queria me dizer?
- Eu queria, mas não com palavras.
- E queria com o quê?

* * *
No dia 24 de dezembro, Adalberto, ofegante, tocava sua campainha de Pâmela. Pâmela abria a porta e o olhava com olhos arregalados e com um sorriso surpreso no rosto! No aparelho de som: A Charlie Brown Christmas do Vince Guaraldi.
- Mas esse CD é aquele da trilha sonora do especial natalino do Snoopy! Que nós amamos!
Dizia Adalberto assim que a porta se abria.
- É SIM! VOCÊ VEIO!
Dizia uma Pâmela transbordando de felicidade.
- Sim! Agora me diga que não há mais Glauber na sua vida, mas não com palavras. Diga-me como pensara dizer!
- OK!
Pâmela puxava Adalberto pela blusa para dentro de sua sala. Laçava-o com as pernas, como fazia com o ex-noivo e o beijava com desejo voraz. Ao caírem no sofá, o cotovelo de Adalberto esbarrava na árvore de natal de Pâmela. Bolas e lâmpadas natalinas espalhavam-se pelo chão a enfeitar uma cena de amor inédita aos dois.

* * *
- Não entendi, Pâmela. Éramos amigos até eu dizer que lhe amava.
- Pois é.
- E o que a levou a terminar tudo com o Glauber? Repensou nas fotos que eu tirei?
- Não! Pensei nas palavras que me disse. Com Glauber eu tinha um bom sexo, carinho e a promessa de uma vida estável. O que me fazia relevar os seus deslizes. Porém, eu não ouvia um “eu te amo” desde que noivei. Você me fez dar conta disso. Agora me beija, anda!

Adalberto e Pâmela amavam-se ao som de temas que os remetiam a lugares mágicos. Era como se lembranças de uma antiga e bela amizade fossem levemente apimentadas pelo tesão mútuo.

[Fim]

6 comentários:

Nathalia disse...

aeeeeeeeeeeeeeeee!!!
hahaahaha
adalberto se deu bemmm! e a pamela assimiu o PURO interesse... essas mulheres...

adoreiiii!

Fabiana disse...

e foram felizes para sempre...
rs

marceloclash disse...

Essas mulheres viu hauahuahaa o bom de tudo é que o cara se deu bem! kkkkkkkkk

http://papodomarcelo.blogspot.com/

Aninha disse...

eu ja vi esse especial do Snoopy uauahuahu, muito legal msm rs ^^
que bom que o Adalberto ficou feliz, ele merecia :)

Vanessa Sagossi disse...

Que bom que a Pâmela deixou de ser burra... heheh
Mas também veio com tudo: "Eu queria, mas não com palavras.", né?

Beijos!

Livia Queiroz disse...

Nussssssssss
essas mulheres de seus contooooos, dão o q falar neh?
Uaaaaaaaau

adorei!!!

P.S.: Esse trechinho me fez pensar em mta coisa: "Dizer 'eu te amo' nunca é normal. Ou é bom ou é ruim. Depende de quem ouve."

Fodasticoooo!

bjaum