quarta-feira, 11 de novembro de 2009

TUDO POR BIANCA

A toalha branca era finalmente estendida no peitoril daquela janela. Eu esperava por esse momento havia dias, mas, enfim, lá estava ela; alva e cheia de significados. É que eu mantinha um caso com uma vizinha minha, a Bianca, que por sua vez era casada com um grande amigo meu, o Hugo. A toalha branca na janela era uma forma de me dizer “está tudo OK, pode vir”. Imediatamente ao avistá-la, sem que ninguém me visse, eu corria para um terreno abandonado que se estendia até os fundos da casa de Bianca.

Como dito, havia dias que não me encontrava com Bianca, mas toda aquela espera valia a pena neste caso. Ela era uma mulher fantástica em todos os sentidos. Bem, eu não vou me focar na questão da infidelidade, já que o traído não era eu; e sendo assim, para mim, ela continua sendo fantástica.

Quando digo fantástica, me refiro desde aos seus cabelos de grandes cachos negros às suas unhas dos pés – sempre muito bem cuidadas. Do meio desses dois extremos posso citar o corpo magro porém atraente, a boca singela, os olhos de sonsa (sim, sonsa e isso me atraía demais) e a cintura; hoje tão raro nas mulheres.

“Toalha na janela”, eu disse para mim mesmo ao avistá-la. Corria então para o terreno como um lobo atrás da caça. Havia um facão que eu deixava escondido logo no início daquele caminho coberto de mato. Com ele eu seguia até o muro dos fundos da casa de Bianca. Chegava sempre suado e com vários pequenos cortes pelo corpo, causados pelo enorme capim.

- Bianca! – eu a chamava em voz baixa.

- Lucas! Pode vir!

Eu pulava o muro e ia direto para o banheiro, a fim de me livrar daquele estado.

- Não! – disse-me Bianca – Quero você assim, hoje!

- Suado e sujo?

- Isso!

Eu detestava transar sujo de mato, mas como resistir a um pedido de Bianca? Os olhos eram como o azul do mar; misterioso, enigmático. E depois de cada pedido sua língua passeava lentamente sobre seus finos lábios, a fim de me seduzir ainda mais.

- Você não presta, Bianca! – eu dizia já encantado.

- Eu sei disso! E é por isso que estás aqui, não é?

- Sabes que sim!

Imediatamente, Bianca levantava o vestido florido a exibir suas pernas. Numa agilidade impressionante, descia a calcinha até cair macia sobre seus pés. Meus olhos seguiam cada gesto, cada detalhe daquele despir sempre tão inspirado. Naquele momento, como sempre, me vinha o seguinte pensamento: “O Hugo é um cara de sorte. Ter uma mulher assim todos os dias”. Como eu queria ser casado com Bianca. Invejava-o.

* * *
Passada a tarde, quando já me preparava para voltar para casa, resolvi fazer uma pergunta à Bianca:

- Casarias comigo?

- Claro que não! – ela respondia convicta.

- Por que não?

- Ora, porque não!

- E o que eu represento para você, então?

- O que você realmente é, ora, um amante. Uma diversão. Pronto!

- E o Hugo?

- Ora, meu marido! A pessoa que eu amo...

- Não me amas, então?

- Sou TARADA por ti, Lucas, mas não me cobre amor, por favor!

- Acredita que um amor possa morrer?

- Claro que sim.

- E se esse seu amor morresse?

- Hum... – ela pensava – Aí, sim, provavelmente você seria a pessoa mais apta a substituí-lo, eu acho.

- Bom saber.

Ao me despedir de Bianca, apenas fingi ir para casa. Na verdade fiquei escondido atrás do muro a esperar pela chegada de Hugo. Assim que ouvi a voz dele, pulei para dentro da casa novamente.

- Alguém pulou nosso muro! – disse Hugo à Bianca, e veio até a mim – Lucas? O que faz aqui? E por que pulou meu muro?

Não disse palavra. Apenas finquei o facão na barriga de Hugo, que no chão agonizou por alguns minutos até o último suspiro.

- E agora, Bianca – eu disse –, estou apto a receber o seu amor?

Nunca tinha feito tamanha merda. Não entendi que o amor de uma mulher nunca morre depois do amado. Ou morre antes, ou tende a estar vivo no coração por toda a eternidade.

3 comentários:

FYC disse...

to na dúvida de quem é mais burro haha

beijooos

Fabiana disse...

não pude deixar de rir com o comentário anterior... rs

Vanessa Sagossi disse...

Caramba, Luciano!
Também tô na dúvida, Natt..

bjuh!