segunda-feira, 30 de julho de 2012

OS BASTIDORES DOS BASTIDORES: A minha história numa banda de Heavy Metal – Parte I

Quem me conhece sabe que sempre fui apaixonado por música. Sempre. Desde muito pequeno me via encantado com a arte de combinar sons e silêncios. E quem me conhece sabe também que quase tudo que gosto eu acabo me arriscando a fazer. Não sei se isso é bom, mas – com exceção do basquetebol – tem funcionado.

Eu poderia escrever sobre como a música entrou na minha vida, mas aí teríamos que voltar aos primeiros anos da década de 80, o que seria longe demais. A ideia aqui é contar, de forma bem resumida, uma parte da história da extinta banda de heavy metal Over Action. Pelo menos a parte em que estive presente. E para começar, devo definir como marco zero o ano de 1997.

Eu tinha uns quinze para dezesseis anos. E naquele ano eu iniciava, na Escola Técnica Estadual Henrique Lage, o então chamado 2o grau, hoje conhecido como ensino médio. É quando você se sente mais próximo do fim daquela longa escada que é a escola, mas sente também que os degraus vão ficando mais difíceis de serem superados. Foi quando conheci o primeiro personagem dessa história: Renato Ferraz.

Eu já havia me esbarrado com Renato no ano anterior, em uma aula de Eletrônica que chamávamos de “oficina”. A gente estudava no turno da tarde, mas era obrigado a aparecer na escola em algumas manhãs para aprender coisas interessantes como... Como enrolar uma bobina e construir um radinho que não funcionava. Um tédio. Mas foi em 1997 que de fato dividimos a mesma sala de aula, oficialmente, digamos assim. Não me lembro de que forma nos aproximamos, mas sei que foi por conta de algo relacionado à música, com certeza.  

Renato já tocava violão e contrabaixo e, se não me engano, nessa época já rolavam os primeiros ensaios da Dark Side (o primeiro nome da Over Action). Não sei precisar se isso foi em 1997 ou 1998, mas, devido à minha facilidade com os desenhos...

– Cara – disse-me Renato –, a gente arrumou uma casa que faremos de estúdio de ensaio. Você podia desenhar algo nas paredes, o que acha?

Tratava-se de uma casa da família de Henrique Pacheco, então guitarrista da Dark Side.

– Claro! – eu disse.

Levei alguns lápis e o que saiu foram as logomarcas do Iron Maiden e do Metallica em uma das paredes. Mas não tínhamos tinta, e a coisa ficou só no esboço mesmo.

Nesse mesmo dia conheci o Henrique, que tirava um som de guitarra enquanto eu desenhava. Tudo o que sabia de Henrique é que havia aprendido todas as (dificílimas) linhas de guitarra base do famoso Kill ‘Em All (primeiro disco do Metallica, de 1983). De fato Henrique já demonstrava uma habilidade absurda para o meu entendimento. Palhetadas rápidas e um som de guitarra animal, que nunca tinha presenciado. O som vinha de uma guitarra Samick junto a um pedal Zoom 505, uma combinação que hoje me causaria apenas boas risadas. E ao Henrique também.

Foi quando surgiu o convite para eu assistir a um ensaio da banda. “Claro! Vai ser demais!”, eu pensei.

No dia do ensaio cheguei cedo ao apartamento de Renato. Logo apareceu o Henrique e descemos. Presenciei tudo. A chegada dos caras àquela casa fedendo a mofo, a montagem da parafernália, a passagem de som. Fui apresentado ao restante da banda, o guitarrista Rodrigo Santos e o baterista Leonardo de Andrade.

A diferença entre uma banda ensaiando em uma casa “própria” e uma banda que aluga um estúdio é apenas uma: a preocupação com o tempo. 

Do momento em que chegaram à casa até o primeiro acorde do ensaio, sabe-se lá quantas horas se passaram. Tudo era assunto. “Já ouviu o novo disco do Judas Priest?”, “Cara, dá uma escutada nesse riff”, “Olha o som que consegui com esse pedal...”. Eu também devo ter dado meus palpites e ajudado em todo aquele atraso, mas seria um idiota se não me enturmasse logo com aquele pessoal. Eles estavam fazendo aquilo que há anos tive vontade de fazer!

Depois de muito papo, lá estava a Dark Side tocando músicas do Black Sabbath, Metallica, Iron Maiden, Ramones... Curiosamente, no meio do ensaio, fui convidado a cantar “Palhas do Coqueiro”, dos Raimundos. Foi bacana cantar pela primeira vez. O problema foi que eu gostei. E muito!

Quando o ensaio terminou já era noite e tudo o que eu ouvia era um zumbido forte, o que não era para menos; a casa não possuía qualquer tratamento acústico e os caras tocavam alto! Muito alto! Eu me posicionei próximo à bateria e quem já viu o Leonardo atacar os pratos pode imaginar o que passei durante aquelas horas.

Lembro de ter chegado em casa morto de cansaço, como se eu tivesse ensaiado também. Mas sentia que algo havia mudado em relação ao que sentia pela música. A ideia de aprender a tocar violão me vinha desde os dez anos, se não me engano. Mas foi naquele dia que disse a mim mesmo: "Foda-se! Vou aprender essa merda!" Bem, desse “foda-se” até eu realmente aprender algo levou um certo tempo.

[Continua]

5 comentários:

Rodrigo disse...

Caraca, tu é um artista mesmo, hein?? Está de parabéns por tirar todas as teias de aranha do caminho UAHuahUAHuahuAHUahuHAUha Que riqueza de detalhes!! Cara, eu nem me lembro dos desenhos na parede. Foi pra isso que vc foi chamado mesmo?? huahauhauhauahu Que vergonha. Nem lembrava disso... MUITO SHOW teu texto!! Aguardarei ansiosamente pelos próximos!! Abração!!

Rodrigo disse...

Ahh, e não poderia esquecer da foto de fundo que vc pôs. Homenagem ao Bruno. hUAHuahUAHuahuHAUHa

Luciano Freitas disse...

Eu sou um gravador ambulante, cara! Eu lembro de tudo! Não sou muito de datas, mas de fatos! rs Aguarde os próximos capítulos! ;)

Anônimo disse...

Não esqueça das fotografias na parede tb, as quais serviam-nos de inspiração nos clímax guitarrísticos, ahhhhhhhhhhhhhh....

Luciano Freitas disse...

Fato huahuahua