quinta-feira, 11 de março de 2010

ENCANTO (Parte 2)

As amigas passaram a tarde inteira juntas, mas um telefonema da mãe de Giovanna tratava de apressar a partida da filha, já que havia “muita coisa a se encaixotar” para a mudança. A despedida das meninas, testemunhada pela profunda tristeza de Celeste, tomou aquele quintal de emoção. As lágrimas rolaram e a promessa mútua de futuros contatos por carta ou por Internet se fez presente. As duas se abraçaram forte. Luana abriu o portão e ali, na mesma posição, permaneceu até que Giovanna sumisse no horizonte.

Chegando na cozinha:

- É, Celeste, ela se foi – dizia Luana.

- Não fique triste, minha filha. Hoje em dia vocês podem se falar pelo computador, não é mesmo?

- É, claro, mas nunca será a mesma coisa.

Luana subia até o seu quarto e se deparava com Mimi a olhar fixamente para o celular, como se o mesmo tivesse acabado de tocar. E realmente tocara. Era uma nova mensagem de Matheus.

Não me respondeu, Luana. Estou sendo inconveniente?

Matheus.


Luana então o respondia.

Estava com uma amiga minha aqui em casa. Você não está sendo inconveniente, de forma alguma – Luana então pensou se realmente escreveria o que tinha em mente. Até que escreveu –
Também gostaria de te ver.

Beijos.

Luana.

* * *
Matheus, em meio a um monte de papeis e tarefas que só um estagiário é designado a se responsabilizar, recebia a mensagem de Luana no exato momento em que era solicitado à sala de Marcos – seu chefe e pai de Luana.

- Pois não, Marcos – dizia Matheus.

- Matheus, eu sei que não é responsabilidade sua, nem de seu setor, mas gostaria que me fizesse um favor.

- Pode dizer.

- Hoje eu faço aniversário de casamento e fiquei de comprar um perfume para Patrícia, mas estou atolado por aqui. Então, assim que tiver um tempinho, dê um pulinho naquela perfumaria ali em frente e me compre um frasco desse perfume – Marcos entregava a Matheus o dinheiro e um papelzinho com o nome da fragrância – Não esquece?

- Não, Marcos, pode deixar!

- Ah! Faz melhor: compre dois. A minha filha usa o mesmo perfume e...

- A Luana?

- Sim, só tenho uma filha. Você a conhece?

- Sim. Estive na sua casa no final do ano, não se lembra?

- Ah, é mesmo! – dizia pausadamente Marcos, com ar de desconfiança – Bem, estão é isso. Assim que comprar, me traga aqui, mas sem que Patrícia desconfie, OK?

- Pode deixar, Marcos.

Sem querer, Matheus descobria a marca do perfume de Luana, uma informação valiosíssima para a conquista que investia. Embora o rapaz já tivesse ouvido falar na superstição de não se dar tal presente à pessoa amada, com o risco de perdê-la ao fim do frasco, pensou que seria, mesmo assim, excitante.

Matheus então largou seus afazeres e foi correndo à perfumaria. O rapaz comprou, sim, os dois frascos, porém, um com a quantia de Marcos e o outro com o seu próprio dinheiro. Estava disposto a mentir para o chefe. Diria que havia apenas um frasco na loja e lhe entregaria o troco. No poder de um outro frasco, Matheus presentearia Luana.

No caminho até o escritório, Matheus pensava que teria de ser rápido na entrega do presente, já que Marcos poderia muito bem, naquela mesma tarde, ir até outra perfumaria e adquirir a fragrância de Luana.

Chegando à sala de Marcos:

- Marcos, trouxe o perfume – dizia Matheus.

- Ah, sim! Comprou os dois?

- Infelizmente, Marcos, só tinha um. Aqui está o troco.

- Puxa... Bem, fazer o quê? Obrigado, Matheus.

- Por nada – dizia Matheus que logo emendou – Marcos, eu poderia sair um pouco mais cedo hoje? É que tenho umas coisas para resolver na secretaria da faculdade.

- Sim, tudo bem. Só avise ao Dr. Castro que eu o liberei, OK?

- OK. Obrigado, Marcos.

Matheus então pegava seu paletó na cadeira e a embalagem que deixara sobre a mesa e partia em disparada para a casa de Luana.

Sem sequer saber como seria recebido – se é que seria recebido – por Luana, Matheus seguia no ônibus a calcular suas chances com a ausência de Marcos e Patrícia. O rapaz pensava que horas antes dissera à menina que somente apareceria por lá sob solicitação de Marcos, mas se via quebrando as regras e movido simplesmente pela vontade louca de rever o rosto de Luana – vontade esta que se tornou incontrolável ao descobrir a fragrância da menina. Matheus lembrava com detalhes o endereço do chefe, não foi difícil chegar até lá.

Ao pisar frente ao portão de Luana, ajeitou o nó da gravata, passou a mão sobre o paletó e chamou:

- LUANA!

Celeste avistava o rapaz pela janela da cozinha.

- Luana – dizia Celeste –, tem um rapaz de terno lhe chamando.

- De terno?

- É, vem ver só.

Luana tremia as pernas ao constatar o que já imaginava: Matheus estava lá a lhe chamar.

- Celeste, ele é um estagiário lá do supermercado de papai. Será que o papai sabe que ele está aqui? O que eu faço?

- Bem, parece que ele traz um presente. Acho melhor que o atenda, minha filha.

- Ai, meu Deus, eu preciso de um banho. Estou puro suor. Mande-o entrar, Celeste. Eu já desço.

Celeste segue as ordens de Luana e acomoda o rapaz na sala.

- Ela já desce, está bem? – dizia Celeste – Aceita um suco, ou uma água?

- Eu aceito uma água.

No banho, Luana era um misto de tudo ao mesmo tempo. Não conseguia se concentrar no que realmente estava acontecendo.

- Por que ele está aqui? Por que apareceu sem avisar? Por que estou tão nervosa com a presença dele, meu Deus? – perguntava-se Luana a se ensaboar.

Luana não sabia sequer como se comportar diante de Matheus. E se já não bastassem as mil dúvidas, ainda havia o medo de estar recebendo o rapaz em casa sem a ciência de seus pais – ainda mais por ser Matheus um empregado deles.

Enquanto isso, na sala, ansiosamente, Matheus a esperava.

[Continua]

Foto da Capa: Ana Claudia Temerozo
Mais contos de Luana
aqui.

5 comentários:

Nathalia disse...

aaaaaaaaaaaaaaai que friozinho na barrigaaaaa!
haha

adoreeeeeeeeeeei!

Aninha disse...

até que eu to começando a simpatizar com essa Matheus rs

bjo

Vanessa Sagossi disse...

Eu definitivamente ainda não gosto do Matheus. Tudo bem que parece que foi tudo de boa intenção. Mas disso o inferno está cheio, não é mesmo??
Ah, eu quero que a Giovana fique!!

Livia Queiroz disse...

Aiii tbm to ansiosa aki!

e na torcidaaaaaaaaaaa!!!
hehehe

Lucas Moratelli disse...

Muito bom.
Impossível não gostar dessa história.

E essa superstição do perfume acabar e a relação também. Só detalhes, certo?

Luana precisa de um "viveram felizes para sempre".

Abraço Luciano.