terça-feira, 4 de março de 2008

O INCAPAZ

Teve de se contentar com o adeus frio como o vento que a cortava. Deixou de lado aquela visão romântica e doce e imediatamente vestiu o vermelho que necessitava de prazeres puramente carnais. Ao vê-lo partir e diminuindo de tamanho em direção ao horizonte, Cíntia, ainda chorando, decidiu que não mais viveria um conto de fadas. Ser trocada na mais cruel das infidelidades fora o fim de uma menina sonhadora com o amanhã, mas também o início de uma mulher que vive o hoje.

Sandro a fez encarar aquela chuva para dizer o não mais covarde de ambas as vidas. Molhada e fervendo por dentro, Cíntia teve vontade de esmurrar a cara de Sandro. Nunca passara na cabeça que ele poderia concretizar aquilo que para o casal não passava de uma fantasia sem cabimento. Como ele foi capaz de levar a sério suas loucuras? Levar a melhor amiga de Cíntia, a Mônica, para a cama, provar do sabor jamais conhecido que eram suas curvas e concluir de forma rápida de que era ali que seu corpo melhor se completava. Isso foi demais para Cíntia.

Por mais que Cíntia demonstrasse sua ligeira atração pelo corpo de Mônica, ela deixava claro que tudo não passava de um estopim para as loucuras sexuais que viriam a partir daquelas suposições. Provocar Sandro com o fato de Mônica obter habilidades incríveis para com o próprio corpo – constatado por Cíntia em diversos banheiros de casas noturnas – era um hábito nas noites em que sua mãe não estava em casa. Sem perceber, inaugurava no rapaz uma curiosidade incontrolada que o fez tomar tal decisão e conseqüentemente tal conclusão.

Hoje, Cíntia não mais namora. Fica. Transa. Trepa. Sacia-se das vontades que possuí. Ouvir de Sandro que Mônica era a mulher da vida dele lhe fez ter idéias tão absurdas quanto as anteriores. Naquela altura, tudo já era possível. O incabível já havia se concretizado. Por que não? Então, semanas depois, ligou para Mônica.
- Oi, Mônica.
- Oi... Cíntia. Não sei o que dizer. Sandro está aqui em casa.
- Não diga nada. Quando Sandro sair, me ligue.
Horas depois:
- Oi, Cíntia.
- Ele já foi?
- Já!
- Transou com ele?
- Amiga...
- Responda!
- Sim. Agora pouco.
- Estou indo para aí.
- Para?
- Para transar contigo também!

Mônica ficou muda e esperou que Cíntia chegasse a seu apartamento para tentar compreender melhor o que se passava. A campainha toca. Mônica abre a porta e é surpreendida por um beijo voraz de Cíntia.
- Ficou maluca?
- Sim. Não diga que não gostou porque eu não vou acreditar!
- Mas Cíntia...
- Cale a boca. Eu falava de você para o Sandro e ele me trocou por você. Deve haver algo em você de muito interessante. Eu quero que me mostre!

Mônica que já demonstrara várias vezes a Cíntia como se fazia para alcançar o ápice num momento íntimo, entendeu tudo no olhar da amiga. Ambas deixaram as máscaras na sala e seguiram de olhos fechados por um beijo ainda mais ardente até o quarto. Lá, colocaram em prática tudo aquilo que Cíntia fantasiava nas madrugadas de insônia.

Depois de tudo, completamente suada, Cíntia solta:
- E o Sandro?
- O que tem ele?
- É seu namorado agora. Como o encarará depois de hoje?
Mônica tragou o cigarro e numa risada incontrolável respondeu:
- Como um incapaz!

7 comentários:

mOnIk disse...

bastante atual... não deixa de ser uma realidade! parabéns!

Fabiana disse...

puxa... que legal!
adorei seu novo blog! gosto muito do que vc escreve. sempre.
nunca vou deixar de passar por aqui. amei o título.
parabéns!
qq dia desses conversamos!


beijo

;-)

Erik disse...

Parabéns ! seu blog está bem maneiro !
;D

Aline disse...

Uauuuu!
Tudo aquilo que eu não poderia imaginar;

Marcelo Mendoza disse...

Da hora

José Osvaldo disse...

Preocupantemente, não está longe de ser uma história real... Já entrevistei mtas parcerias entre meninas e elas foram quase unânimes em afirmarem que entre duas meninas existe mto mais fidelidade, companheirismo, solidariedade e cumplicidade que entre um menino e uma menina...

HenriqueM disse...

Hahaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, esse sim.
Final digno, muahahahaha.
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