segunda-feira, 8 de setembro de 2008

ELES V

Eu me desviava das mãos de Charles, que imploravam perdão, catando minhas roupas. Nunca havia ocorrido tal cena em toda minha vida. Ser chamada pelo nome de outra? E pior! Essa outra nem existia, era um sonho maldito! Por mais que Charles tentasse me explicar que Larissa na verdade se tratava da imagem de meu passado, eu não conseguia aceitar. Se ele chamava pelo meu passado, então era o meu passado que ele queria. Era Larissa, não eu.
- Calma Valéria, calma!
- Você só acerta meu nome quando me pede calma! É impressionante!
- É sério. Desculpe-me. Não vai mais acontecer.
- Claro que não vai. Não terás outra chance para errar, Charles. Não comigo!
- TENHA UM PINGO DE COMPREENSÃO, VALÉRIA. POR FAVOR!
Charles me pegava pelos dois braços e me sacudia enquanto gritava.
- Solte-me sua PEDRA!
- Pedra?
- Nunca irá entender, Charles. Boa Noite!
Saía de sua casa em direção à minha apenas de calcinha e com o restante de minha roupa embolada no colo. Por sorte a rua estava deserta.

Eu batia minha porta e jogava as roupas no sofá. Precisava de um banho. As lágrimas caíam sem que eu soubesse ao certo o motivo. Era uma mistura tão grande de sentimentos ruins que eu mal conseguia decifrá-los.

Antes do chuveiro, sentada no chão da sala frente à TV, eu fumava uns três cigarros. Um filme não familiar era exibido. Não me recordo o nome, mas se tratava de uma obra bastante picante. Havia duas mulheres e apenas um rapaz numa cama de dar inveja. Elas o beijavam todo o corpo. Uma delas não tirava a mão de dentro da calça dele. Por que eu havia ligado aquela TV? Àquela hora da noite somente coisas daquele tipo estariam ao meu alcance. As cenas pareciam não ter censuras. Minhas lágrimas cessavam e eu começava realmente a prestar atenção nas imagens. Eu poderia mudar o canal. Certamente haveria algum pastor a fim de falar com as minhas paredes, mas preferia focar-me naquele trio tomado de indecência. O tesão que Charles me cortara se reapresentava em questão de minutos. Eu estava acesa novamente e sem notar o paradeiro de minha mão direita que, por vontade própria, já havia levado minha calcinha à altura da canela e se encontrava entre minhas pernas a movimentar-se de maneira frenética.

No ápice do ato, minhas pernas sem controle chutavam a mesa de centro levando um jarro de flores ao chão, o que não me impedia de levar até o fim a minha busca por um prazer solitário e inevitável. Fazia tempo que não praticava tal sacanagem. Depois do orgasmo eu mudava de canal, pois naquele momento as cenas já me faziam rir ao invés de desejá-las. Enfim, seguia para o meu banho.

Deixava a água quente cair sobre meu corpo e aos poucos ia relaxando e esquecendo tudo o que ocorrera naquela noite. Pegava-me pensando novamente no trio do filme. Era mais forte que eu. Então eu me tocava novamente, dessa vez com mais furor e com gemidos que pareciam querer atordoar o sono de Charles do outro lado da parede. Aquela “pedra” já devia estar dormindo, no mínimo.

Saía do banho exausta, porém, satisfeita com meu trabalho braçal. Por que eu precisaria deles? Eu me virava sozinha. E bem! Nua, seguia até a sala a fim de por minhas roupas para lavar. Avistava o jarro quebrado no chão, mas não me importava. Ligava a TV novamente, mas o filme parecia ter seguido outro rumo. O mesmo rapaz que antes estava entre as mulheres naquela imensa cama já pilotava um helicóptero. Pegava então o embolado de roupas, mas notava um cartão caindo no chão. Largava as roupas no chão e imediatamente tomava ciência do conteúdo daquele pequeno papel. Era um bilhete de Oscar. Ele havia posto-o no bolso de minha jaqueta sem que eu percebesse. Só podia ter sido na hora em que acariciava na mão de Charles. O bilhete dizia:

Decepcionou-se com o Charles? Eu sabia! Seja que horas for, me ligue!
Beijos do Oscar. 9983-XXXX.

Eu ficava abismada. Como Oscar podia ter tanta certeza a esse ponto? Eu me via diante de dois tipos de homem; Charles era o do tipo que eu jamais queria ver na minha frente novamente. Oscar, o do tipo que se eu não ligasse naquele instante meus braços não mais agüentariam. Corria até o telefone. Ele dizia “seja que horas for” no bilhete. Então...

- Alô!
- Valéria!
Atendia-me com uma voz sedutora.
- Sim, Oscar.
- Eu sabia que ligaria. Mais cedo ou mais tarde.
- Pois é. Você acertou.
- Claro que acertei. Você ainda tinha dúvidas sobre resultado de sua noite com o Charles?
- Também não é assim, vai...
- Como está vestida?
- Como assim?
- Não entendeu? Vou repetir pausadamente. Como... está.... vestida?
- Se lhe contasse...
Que safada eu estava.
- Nua! Não é mesmo?
- Pára Oscar.
- Está nua, não está?
- Sim. Mas já estou indo dormir. Minha noite, você sabe, foi uma merda.
- Seus braços trabalharam bem ainda pouco, não?
- Mas como sabe?
- Dedução. Está a fim de algo mais concreto?
- Meus braços não são nem um pouco abstratos, Oscar.
- Estou passando aí.
- Não. Não venha, eu...
- Até daqui a pouco. E não ponha sequer uma peça de roupa nesse corpo!
Ele desligava. E eu, completamente louca com a atitude de Oscar, o esperava controlando os dedos. Eu devia estar totalmente fora de controle ou a carência era tanta a ponto de me afetar a noção de meus princípios. Minha mão direita me desobedecia novamente durante a espera. Tocava-me pela terceira vez.

[Continua]

4 comentários:

Fabiana disse...

"to be continued"

Anônimo disse...

que mulher safada, minha geeente!
hahahahaha
não adianta, é como charles que ela vai ficar...

beeeeeeeeeeeeeeeeijooo
Nathalia - UCAM

fabiola disse...

To bobaaa,meu Deus mais oq foi isso que acabei de ler???hahahah vai pegar fogo amanha ne,nao posso perder...Luciano vc me deixou de queixo caido,ahhah to amando ler Eles...
meus parabens

janu disse...

GENTEMMMMMMMMMMMMMMM!


sem mais comentários!
tsc tsc tsc