quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

QUATRO MAIS UM IV

Sentado com os óculos de sol, um laptop no colo e uma lata de cerveja na mão esquerda, Ciro parecia uma miragem, uma aparição diante de Carlos.
- Dr. Ciro?
- O que foi, garoto? Viu um fantasma? E sem essa de doutor.
Thiago e Sabrina se olhavam e entendiam tudo. Aquele era o chefe de Carlos. O tal que resgatara Caroline.
- Não vai me apresentar seus amigos, Carlos?
- Claro. Esses são Thiago e Sabrina. Gente, esse é o doutor..., digo, Ciro.

Cumprimentavam-se e logo iniciavam uma conversa inaugural sobre a beleza local. Carlos ficava calado e com medo de perguntar, mas estranhava encontrar Ciro na mesma cidade e praia. Na verdade ele não sabia nem onde situava a casa de praia do chefe. Poderia ser em Búzios também. Por que não?

Caroline saía da água e vinha caminhando de maneira angelical em direção aos amigos na areia. Ajeitava os longos cabelos negros. As ondas batendo em câmera lenta faziam um pano de fundo maravilhoso para o andar de Caroline. Ciro percebia sua chegada. Desviava a atenção das frases chatas de Thiago e Sabrina e passava a observar a menina que se aproximava. Carlos assistia aquilo com muito ciúme, mas se segurava. Afinal, o velho não teria a menor chance.

Quando Caroline chegava até o corpo de Carlos, que se encontrava em pé a sua espera, abraçava-lhe e dava de cara com Ciro. Arregalava os olhos e soltava em voz baixa:
- O que esse homem está fazendo aqui?
- Não sei, amor. Não sei.
Respondia Carlos também em voz baixa.
- Mais que merda. Esse cara aqui também?
- Caroline. Foi ele quem lhe salvou. Já se esqueceu?
Caroline abaixava a cabeça e ficava em silêncio. Ia até Ciro, o cumprimentava e agradecia a pedidos de Carlos.
- Não há de que, Caroline. O que importa é como você está. Você está bem?
- Sim, estou. Mas prefiro não tocar no dia de ontem.
- Como quiser, Caroline.
Concordava Ciro lentamente enquanto analisava cada curva de Caroline. Thiago e Sabrina assistiam a tudo calados.

- Vocês aceitam almoçar lá em casa?
- Obrigado. Mas não precisa, Ciro.
Respondia Carlos.
- A Caroline é quem vai responder. Quer almoçar lá em casa, Caroline?
Caroline pensava e respondia com um pouco de frieza - Sim, por que não?
Carlos não entendia a atitude de Ciro, muito menos a de Caroline. Começava a suspeitar de que algo não cheirava bem naquela cena.
- Ótimo. Minha casa fica logo ali, assim que vocês quiserem ir, me avisem.
Carlos e Caroline ficavam sérios e sem jeito enquanto Thiago e Sabrina se mostravam ansiosos com o convite.
- Não estou gostando nada disso.
Dizia Carlos a Thiago.
- Ora, Carlos. Vamos almoçar na casa do magnata. Deve ter tudo do bom e do melhor na casa dele. Imagina.
- Não, Thiago. Não é disso que eu estou falando. Estou me referindo ao jeito com que Ciro vem tratando Caroline.
- Não vai me dizer que está com ciúmes. Aquele coroa?
Duvidava Thiago em tom de deboche.
- Não sei não, Thiago.

No caminho, iam Carlos, Thiago e Sabrina no banco traseiro e Caroline no banco do carona, ao lado de Ciro a pedidos do mesmo.
- Sabe, Caroline? Seu namorado é um de meus melhores funcionários.
Caroline apenas sorria sem querer.
- Tem nas mãos um garoto de ouro.
Carlos nunca havia dito, mas odiava ser chamado de garoto, ainda mais por Ciro. No meio de um monte de frases tediosas de Ciro, apenas Thiago e Sabrina se interessavam.

Chegavam à casa de Ciro e lá conheciam Milena, sua empregada.
- Milena trabalha comigo há anos. A levo para onde vou. Eu e minha família não vivemos sem ela. Não é mesmo, Milena?
- É sim, doutor. Os jovens vieram para o almoço?
- Sim. Prepare algo enquanto papeamos na varanda.
Respondia Ciro.
- Sim, doutor.

Pronto. Começava ali uma série de quatro dias em que Carlos, Caroline, Thiago e Sabrina não fariam nada sem a presença de Ciro. Ele os convidava para programas e se convidava para os programas dos jovens. Carlos se via sem graça de negar ao chefe, mas já no primeiro dia de viajem se encontrava entediado com a presença de Ciro. Praia, almoços, jantares, festas locais, tudo era com a companhia de Ciro, que pagava praticamente todas as despesas. Se não bastasse a companhia indesejável, Ciro não desgrudava de Caroline com suas frases maliciosas. Carlos já não aguentava mais. Thiago e Sabrina também não.

* * *
No terceiro dia, domingo, os jovens se reuniam na pousada onde se hospedavam para terem uma conversa sobre a presença de Ciro.
- Não dá mais, Carlos. Essa viagem está se tornando a viagem nossa e do Ciro.Começava Thiago.
- Pois é. Eu também estou odiando. Não aguento mais as histórias desse velho.Emendava Sabrina.
- Sim. Eu concordo. Mas é meu chefe. Como posso destratá-lo? Ele é uma mala, mas...
Explicava Carlos.
No mesmo momento, Caroline começava a chorar.
- O que houve, Caroline?
Perguntava Carlos.
- Preciso contar uma coisa a vocês. – Respondia aos prantos Caroline – É sobre o dia do sequestro e sobre o Ciro também.
Carlos, Thiago e Sabrina emudeciam de olhos arregalados.

[Continua]

Conto publicado originalmente entre 09 e 13 de outubro de 2007, no fotolog.com/lucianofreitas.

3 comentários:

nathalia disse...

aiaiaiai... [3]

haha!
genteeeeeeeeeeeee, que velho chatooo!!!!

Fabi disse...

amanhã acaba.

Aninha disse...

que velho chato mesmo!