sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

QUATRO MAIS UM V (Final)

- Fale, Caroline. O que a gente não sabe sobre o dia do sequestro?
Atirava Carlos.
- Sim. Eu vou falar.
Caroline se recompunha das lágrimas e começava:
- Naquela quinta-feira, eu tinha acabado de almoçar com você, Carlos, no Centro da cidade. Logo depois, fui para casa. Ao descer do ônibus, já na minha rua, ouvi a voz de um homem que vinha logo atrás e puxava minha mochila. Ele disse “Espere aí, menina, você poderia me dar uma informação?” Ele não queria informação alguma. Queria apenas se aproximar e me render. Havia um carro do outro lado da rua nos esperando. Com uma arma na minha cintura, ele me levou até o carro. Havia mais dois homens dentro do veículo. Foi quando me dei conta de que estava sendo sequestrada. Eles me levaram até o cativeiro e logo depois me pediram o telefone dos meus pais para que pudessem pedir o resgate. Como meus pais estão na Bahia, achei que seria muito difícil os localizar. Então dei o celular do Carlos para que eles pudessem fazer o contato, porém, nem imaginava que Carlos conseguiria o dinheiro, quis apenas ganhar tempo, sei lá. Acho que me matariam se soubessem que não pegaram uma princesa cheia da grana, mas uma menina de renda normal. Durante o tempo em que fiquei no cativeiro, fui amordaçada e tive minhas mãos amarradas. Um deles fazia os contatos pelo telefone, outro me apontava uma arma todo o tempo e outro não tirava as mãos do meu corpo. Alisava-me, me beijava e me lambia... enfim.

Carlos sentia seu rosto queimar de raiva e ciúmes, mas preferia não interromper Caroline, que continuava:
- Eu apenas chorava. Sentia ódio deles e ao mesmo tempo não sabia por quanto tempo aquele pesadelo duraria. Até que aquele animal que me tocava resolveu que transaria comigo. Não tive como evitar. Estava amarrada. Naquela situação pensei que estava tudo perdido. Um homem imundo por cima de mim enquanto um outro me apontava uma arma e o som da voz de um terceiro que não parava de falar ao telefone.

Thiago e Sabrina não tinham sequer expressões faciais. Estavam pasmos. Caroline continuava:
- Até que o ouvi falando “A aí, playboy? Arrumou a grana? (...) Certo. Estarei esperando por você”. Logo pensei que finalmente estaria salva. Carlos havia arrumado um jeito de me tirar dali, eu pensava. Alguns minutos se passaram e eu apenas esperava o momento em que Carlos adentrasse pela porta e me arrancasse debaixo daquele ser desprezível. Ouvi uns passos estranhos na sala daquela casa e uma voz que dizia “Resgate. Venho em paz”. Era o Ciro. Um deles disse “Quem é você, coroa?”. Dessa frase em diante não ouvi mais nenhuma voz. Apenas os três tiros certeiros que Ciro distribuiu em cada um dos bandidos com um tipo de um revolver silencioso, não sei direito. Ciro foi tão certeiro que com o barulho da queda dos dois primeiros corpos, o que estava sobre mim se ergueu para ver o que havia de errado. Este recebeu uma bala no meio do crânio.
- Então o Ciro salvou você dessa forma? Ele matou os seqüestradores? Mas e o dinheiro do resgate?
Perguntava Carlos.
- Dentro da mala ele carregava sua arma junto ao dinheiro do resgate. Ele não entraria ali indefeso sem saber com quem estava lidando. Ele foi para pagar ou matar. Pois bem, depois de ter assassinado os três sequestradores, Ciro veio até a mim, se apresentou como chefe de Carlos, explicou tudo o que aconteceu e me fez uma proposta.
- Proposta?
Perguntavam Carlos, Thiago e Sabrina em uníssono.
- Sim. Ciro me tira do bolso uma foto de sua primeira esposa, esta falecida há mais de quinze anos. Eu olhei a foto e vi meu rosto nela. Foi impressionante ver uma pessoa tão idêntica a mim numa foto tão antiga. Então ele disse “Olhe Caroline. Isso só pode ser uma obra divina. Vi você hoje no restaurante com o Carlos e não acreditei. Você é exatamente igual a minha primeira esposa, Sueli, meu único amor. Sueli foi morta por um câncer em 1990. E agora, acabo de lhe salvar disso tudo. Não poderia deixar de lhe pedir... Um beijo”. Eu realmente me peguei tomada por um sentimento de gratidão e de alívio tão grande por ele ter me tirado daquela situação que, confesso, senti uma espécie de atração momentânea por Ciro. Então... o beijei.
- NÃO ACREDITO, CAROLINE!
Interrompia Carlos possuído pelo ódio.
- Calma Carlos. Eu achei que nunca mais precisaria cruzar com esse cara na minha vida. Mas agora ele é quase um de nós, não me deixa em paz um minuto. Vocês notam como ele me deseja? Eu precisava contar isso a vocês. Desculpe-me, Carlos. Mas eu não sabia que um simples beijo iria se tornar nesse pesadelo. Desculpe-me, por favor.
- SIMPLES BEIJO? VOCÊ É UMA VAGABUNDA!
Atacava Carlos.
- Calma gente, calma.
Tentava Thiago.

Carlos saía da mesa em disparada sem dar explicações aos outros três e seguia em direção à casa de Ciro.

Chegando lá, era recebido por Milena, a empregada de Ciro, que levava um empurrão de um irado Carlos.
- Onde está o Ciro?
- O que é isso? O que houve?
- Onde está o canalha do Ciro?
Ciro aparecia na sala.
- O que é isso, garoto?
- Não me chama de garoto, seu filho de uma puta! Por que você fez aquilo? Gostou da Caroline, não é? Ela é a cara da sua defunta, não é? Ela me contou tudo!
- Garoto, você está me desrespeitando na minha casa. Não vou admitir uma coisa dessas!
- O que você vai fazer? Vai me matar, assim como você fez com aqueles três no dia do sequestro?

Na mesma hora, adentravam Caroline, Thiago e Sabrina. Caroline gritava por Carlos bem no ápice da confusão, no momento em que Ciro puxava uma pistola da gaveta, apontava para Carlos e disparava um tiro. Atendendo ao grito de Caroline, Carlos se virava para trás se desviando sem querer do tiro de Ciro, que atingia em cheio o peito de Caroline.

Transtornado, Ciro disparava um tiro em cada jovem, todos certeiros, inclusive em Milena. Por último, tomado pelo mais terrível choro, acabava por compor um cenário mórbido em meio à beleza natural de Búzios - punha seu crânio como alvo e atirava.

[Fim]

Conto publicado originalmente entre 09 e 13 de outubro de 2007, no fotolog.com/lucianofreitas.

4 comentários:

Lucas Moratelli disse...

Nossa!

Que fantástico.

Vou ler os capítulos anteriores agora.

Fim maravilhoso.

Fabi disse...

the end.
e ponto final.

Livia Queiroz disse...

Nooooooooooooooossa q doideraaa!

Adorei n esperava esse final...
mto mto mto bom
parabéns

Pâmella disse...

fiquei bem surpresa tbm com o final..

mas ficou ótimooo!!!!!!!