segunda-feira, 11 de maio de 2009

SAFADO NÃO! CRIATIVO!

Pela primeira vez na minha vida, talvez, eu entrava em uma loja de lingerie. Tinha o objetivo de sair de lá com um presente para Aline, estagiária lá do escritório. A minha experiência com esse tipo de compra, como já disse, era zero, logo, a chance de eu comprar algo desagradável era enorme.

- Quer alguma coisa? – perguntava-me a lojista.
- Vocês vendem extintores de incêndio?
- Não!
- Eu imaginei. Então, acho que vou querer ver lingeries, pode ser?

Ela me olhava com a cara mais feia de seu estoque. Mas o que eu posso querer numa loja de lingerie?

- Qual o seu nome, senhor?
- Silva. Jorge Silva.
- E em que posso ajudar?
- Bem, eu preciso comprar um presente para uma amiga minha, mas não tenho a mínima noção do que ela gosta de usar. Quer dizer, noção eu até tenho, mas não queria dar uma coisa que ela já estivesse careca de usar. Ih! Eu disse careca? É, mas é careca mesmo, se é que você me entende.
- Antes, posso lhe fazer uma pergunta?
- Claro!
- É amiga mesmo ou é mais que isso?
- Gostei de você! Bem, é mais que amiga. Ela é estagiária de lá onde eu trabalho. Nunca me deu bola. Zoava com a minha cara, mas me provocava também. Então, quando foi no Natal...
- Chega. Não precisa entrar em detalhes, Sr. Jorge. Eu já entendi.
- Sim...
- Vamos ver. Ela faz do tipo tímida ou do tipo fatal?
- Acho que nem uma coisa nem outra. Ela não é tímida, mas também não chega a ser fatal. Simplificando: ela é uma menina normal, mas que entre quatro paredes mostra gostar muito da coisa. Sabe que, no mês passado, eu pedi a ela que vestisse uma...
- Chega, Sr. Jorge. Eu já entendi.
- Tudo bem.

Eu notava que nas duas vezes em que me empolguei e quase dei detalhes de minha intimidade com Aline, a lojista dava uns puxões na gola de sua blusa e soprava o tórax, parecendo sentir certo calor.

- Bem, Sr. Jorge, eu...
- Não me chama de senhor, por favor.
- Tudo bem.
- Obrigado.
- Então, Jorge. Eu tenho aqui algumas peças que fazem bastante sucesso. Elas são sensuais, mas, de certa forma, comportadas. Dê uma olhadinha.

Ela me mostrava uns conjuntos que faziam dos manequins verdadeiros objetos de desejo. Eu cheguei a alisar o seio de um deles, para loucura nítida da lojista.

- Jorge, por favor... Por que fez isso?
- Isso o quê?
- Você alisou o seio de um manequim!
- E daí? Quis sentir a textura das peças, não posso?
- Pode, mas...
- Ou você prefere que eu alise o seu?
- Ficou maluco?! Eu chamo o segurança!
- Foi só uma brincadeira. Como você se chama?
- Gabriele.
- Belo nome. Mas então...
- Diga.
- Eu gostei desse conjunto aqui. Acho que é a cara dela.
- OK! P, M ou G?
- Ih... Você veste qual?
- Esse conjunto para mim seria P.
- É, mas ela tem um pouco mais de corpo que você.
- Entendi. Leva M.
- Levarei.

Enquanto ela procurava a peça no meio de um monte de sacola e embrulhos, eu esperava ao balcão. Gabriele se agachava, subia numa pequena escada, andava para lá e para cá... Gabriele é uma moreninha de estatura mediana e dos cabelos cacheados. Uma gracinha. Muito bem maquiada, ela exibia um certo charme na pronúncia de certas palavras, como “chamo”, “conjunto”; fazia um biquinho engraçado. Imaginei aquela boquinha em ação.

Numa das agachadas, pude notar o detalhe da calcinha dela. Pronto! Tesão!

- Gabriele!
- Sim? – ela respondia ainda de costa.
- Você usa lingerie dessa loja?
- Sim, uso. Por quê?
- Essa calcinha que está usando é daqui?
- O quê?! Você... Você olhou minha calcinha?!
- Não exatamente. Mas é que acabou aparecendo e...
- Mas você é muito safado, não?
- Eu?!
- Seu...
- Gabriele, por favor, o que há de errado em eu ver uma simples calcinha? Aqui mesmo eu estou vendo um monte. Olha quantas há nessa loja!
- ... – ela voltava a soprar o tórax.
- Foi só uma pergunta, Gabriele.
- OK! Sim, essa calcinha que estou usando é daqui sim!
- Então, acho que vou querer também!
- OK!
- O conjunto, por favor.
- OK!
- M, sim?
- Sim, Jorge!

Depois de alguns minutos, Gabriele me entregava minha sacola.

- Muito obrigado, Gabriele.
- Obrigada a você. Espero que ela goste. E que você aproveite.

Eu sentia malícia naquela frase.

- Sim. De qualquer forma eu vou tirar tudo isso com os dentes mesmo.
- Por favor, Jorge... Poupe-me! – ela ria.
- Tudo bem... Tchau!
- Ah! Jorge!
- Diga.
- Apareça mais vezes.
- Pensei que quisesse distância de um “safado”.
- Não é bem assim... Seu safado.
- Safado não, Gabriele! Criativo!
- Ah! – ela abria a boca abismada, porém, com um olhar tomado de curiosidade.
- Tchau!

Aquele provador da loja deve ter histórias boas de Gabriele para contar.

* * *
Mais histórias sobre Jorge Silva em Quem Você Quiser I e II, Pela Cidade e Nada Mau Para Um Natal.

9 comentários:

Nathalia disse...

ahahahhahahaha

aaaaaaaaaaaaaaaaahhh Jorge é o melhor!
hahahahaha
o mais sincero, né?

adoreiii!
estava com saudade dele! rsrs

Mike disse...

Melhor conto até hj!!! Adorei, Freitas!
:P

jαnα ¦D disse...

Bota sincero nisso 'aosiaoisoaisoa
E essa Gabriele também...credo, podia ser mais discreta né? --' XDD

Abraços
='-'=

C. disse...

Esse aí me lembrou o Doutor Sabino, do "O casamento" do Nelson Rodrigues...

EHUEHEUHUEHUEHEU

Mas um conto de excelente qualidade seu!

www.conto-um-conto.blogspot.com

Lucas Moratelli disse...

Hehe, gostei.

Não sei quem é o pior, ele ou ela.

Conto muito bom de ler.

Fabiana disse...

hahahahahahahahaha

Dayanna Louback; disse...

ahahaa!
adooorei o jorge.. rss
beem sinceero..

:*

Vanessa Sagossi disse...

Eita. :x

Vanessa Sagossi disse...

Eita. :x