quinta-feira, 29 de maio de 2008

QUEM VOCÊ QUISER II

Naquela noite, de fato Laura se mostrou completamente oposta a Sheila. Vulgar. Quase animal. Rodamos alguns bares, caminhamos, nos pegamos, mas no fim de tudo acabamos no meu apartamento. Meus 30 anos quase pediram pinico para os seus 22. Era uma profissional?
- Você é profissional?
- Quer que eu seja?
- Quero você como você é. É profissional?
- Eu sim.
- Por que essa resposta? Já sei. Sheila não é profissional.
- JÁ TE DISSE PARA NÃO FALAR DELA ENQUANTO ME PEGA!
- Desculpe.
Ela continuava seu “trabalho”.

Pela manhã, levantei primeiro que ela. Fui preparar o café pensando quem se levantaria daquela cama. Laura ou Sheila. Confesso que eu queria muito a Sheila para balancear as emoções daquela noite voraz. Preparei umas torradas, leite e chocolate. Logo ela acordou.
- Bom dia.
- Bom dia.
- Estou exausta.
- E por que levantou? Podia ficar mais na cama. Hoje é sábado.
- Não. Já vou andando.
- Não vai tomar um café? Para que a pressa, Sheila?
- Tenho que estudar.
Notei que de fato era a Sheila que estava ali.
- Então é com a Sheila mesmo que estou falando.
- Sim.
Ela riu.
- Era você quem eu queria ontem. Sabia?
- Por que não disse?
- É que por algum motivo também me simpatizei pela Laura.
- Foi quando ela levantou o vestido, não foi?
- Foi.”Ela”.
Ri.
- O que foi?
- O modo como você se refere a seu outro lado.
- Não sou eu. É ela.
- Que seja. Isso me atrai, sabia?
- O quê?
- O fato de estar diante de duas mulheres ao mesmo tempo.
- Nunca terá as duas ao mesmo tempo. Ou uma ou outra.
- Quero você.
- Sheila.
- Você.
- Sheila.
- Sheila e Laura.
- Laura você pode ter também, mas nunca quando a mim tiver.
- Confuso. Mas eu topo. Quando nos vemos de novo?
- Sabe onde me encontrar. Aquela campanha do refrigerante ainda durará algumas semanas.
- Mas eu quero saber onde moras.
- Saberá. Agora não. Beijos.

Nos beijamos e eu fiquei ali de pé no meio da cozinha assistindo aquele corpo perfeito sumir pela porta. Notei na Sheila uma certa vergonha em acordar aqui em casa e com as roupas da Laura. Ela puxava o vestido para baixo e se mantinha atrás da bancada enquanto falava comigo. Comi as torradas e tomei o chocolate sozinho. Pensei o quanto estava amarrado àquela história louca de dois lados. Laura, Sheila.

Na quarta-feira, eu voltei à Estação Carioca do metrô. Ela estava lá, como disse.
- Sheila?
- Oi Jorge.
- Almoças comigo?
- Claro. Saio às 13h.
- Tudo bem, eu espero ali.
- OK.

Sentamos num restaurante no Centro do Rio e começamos a conversar. A relação com Sheila era bem mais tranqüila. Ela parecia mais centrada. Eu só não entendia como ela conseguia se dividir tão bem entre as duas. Ser Sheila sem dar indícios de Laura e vice-versa.
- Como consegue?
- Consigo o que?
- Ser duas.
- Não sei.

Notei em seu crachá o nome Sheila Miranda de Lima. Sinal de que estava diante dela em seu estado natural. Era de fato Sheila quem estava ali. Em carne, osso e alma.
- O que vai fazer hoje à noite?
- Estudar.
Ela respondia com o rosto em direção ao prato.
- Por que quase não olha nos meus olhos, Sheila?
- Vergonha.
- De que? Esteve na minha cama na sexta passada.
- Eu não. Laura esteve. E sinto vergonha por ela.
- Não sinta. Você não esteve em minha cama ainda. Então não há motivos para vergonha.
Sentia-me agora um perito em dois lados. Já sabia até me expressar diante do fato. Notei que naquele momento eu queria que Laura não mais voltasse. Queria que Sheila fosse Sheila para sempre e ao meu lado. Mas como confiar na Laura? Aquela putinha.

- Tenho que ir.
- Mas você nem terminou o almoço.
- Preciso voltar. Só tenho trinta minutos de almoço.
Peguei-a pelo braço e beijei-a. De pé, no meio do restaurante, nos beijamos loucamente. Sua mão correu meu abdômen para o sul. Senti que havia algo ali que não era de Sheila.
- Calma Sheila. Estamos no meio de um restaurante.
- Me chame de Laura e me leve para o seu apartamento agora.
- Meu Deus.
Levei.

Chegando lá, Laura pára na porta.
- O que foi? Não vai entrar, Laura?
- Sheila.
- Sheila?
- Mas...
Fiquei irritado.
- Olhe aqui Sheila, não brinque mais. Entendeu? Isso está me deixando confuso. A Sheila não transa? É isso?
- Transa. Mas não desse jeito.
- E de que jeito “ela” transa?
- Assim.
Começou a me beijar e me fazer carícias como uma namoradinha que tive na adolescência. A inocência de Sheila conseguia ser mais atraente que a voracidade de Laura. Era isso que eu queria desde o início. Consegui. Ela trazia na bolsa uma saia e uma camiseta de ficar em casa. Ela já sabia que estaria aqui de novo. Trocou-se.

Depois de muito carinho, tirou minha roupa devagar. Tirei a dela com o mesmo cuidado. A transa levou horas, porém, as horas mais românticas da minha vida. Eu estava diante da Sheila que eu queria quando a vi pela primeira vez na Estação.

Não transamos. Fizemos amor. Estávamos enfim amando um ao outro.

4 comentários:

fabi disse...

acabou fofiiinhoo.

enfim, já estava ficando irritada tbm!! sheila laura... laura e sheila...
mais um pouco, o final do conto seria o jorge internado, louco de pedra!

beijocas.

Aline Ramos disse...

a sheila sofre de transtorno bipolar.
nossa, ahuHUHAUhua

engraçado e bonito!

;)

janu disse...

Amor...sempre.

"Qualquer maneira de amor vale a pena!"^^

(suspiros)

Priscila disse...

adorei o final...
até q enfim ele conseguiu o amor tanto desejado!


bjs