segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

VALIOSO INSTANTE (Final)

Leia a Parte 1

Mesmo com a informação de que Breno não apareceria por ali durante algumas semanas – por conta de uma viagem a trabalho –, Sônia não deixava de conferir o ponto de ônibus um dia sequer. Pensava sempre no quão impressionante seria ver aquele moreno novamente. Ser alvo daqueles sorrisos e olhares conquistadores era o que a menina mais sonhava ultimamente.

Certo dia, dessa vez sem muita esperança, Sônia abrira a janela, como feito em todos os dias anteriores. Como se as nuvens se abrissem para o desvendar de um céu azul jamais visto, os olhos da menina se deparavam com os do moreno a brilhar. Ele mostrava um sorriso saudoso e logo tinha o sorriso de Sônia como resposta. Era uma menina, sim, mas ele tinha pouca noção disso, por conta da distância e do peitoril, que nunca desvendara o corpo de Sônia dos seios para baixo.

Sônia estava decidida a não pagar o mico que pagara ao irmão gêmeo do rapaz; muito encabulada, fez um sinal de espera a ele e correu para o quarto com o intuito de se trocar.

Correu.

Jogando as peças pelo caminho, a menina chegava apenas de calcinha a seu quarto. Procurava então por roupas adequadas ao encontro que pretendia. Uma saia jeans, uma camiseta, e foi tudo. Correndo de volta à janela, passava as mãos de leve em seus fios longos e negros. “Estou bonita, será? Estou bonita para Breno?”, pensava a contente Sônia.

Meio que atropelando a mesa de centro da sala, pulando as almofadas jogadas ao chão, Sônia chegava até a janela e:

- Oi. – dizia o rapaz já próximo ao peitoril.

- Ai! Que susto!

- Desculpe-me.

- Tudo bem, tudo bem... – dizia Sônia sem saber para onde olhar.

- E... E então?

A menina se calava diante do rapaz. O que dizer? Mas disse:

- Eu não sei o que dizer.

- Podemos não dizer nada, se preferir.

- Como?

- A gente se beija e pronto.

- Ah?!

Antes que Sônia tivesse qualquer reflexo em desistir de cena tão sonhada, o rapaz alcançava os seus lábios com ternura. Sônia então fechava os olhos e se deixava levar pelo beijo mais esperado de sua vida.

- Meu Deus – dizia o rapaz –, o que estou fazendo?

- Por que isso?

- Você... Você é uma menina!

- E?

- Eu sou um homem! Tenho trinta e dois anos...

- E?

- Ora, menina... Eu sei lá. Estou apaixonado por ti, mas ao mesmo tempo eu me sinto muito mal por isso.

- Olha! Outro dia mesmo paguei o maior mico para o seu irmão! Não vou te perder por besteira! Quero te beijar de novo!

Um pedido de Sônia, àquela altura, era uma ordem. Mas quando o rapaz levou sua boca ao encontro da menina, teve seu corpo pausado pela pequenina mão.

- O que foi?

- Não quero outro beijo na janela! Entre, por favor!

- Entrar? E seus pais?

- Não estão! Entre! Ande!

Sônia abria a porta como uma louca. O moreno entrava num salto, já com as mãos na cintura fina da menina. Mal trancara a porta, Sônia já tinha seu corpo lançado sobre as almofadas da sala. Seguindo sabe-se lá que sentimento, aos gemidos agudos de menina, Sônia era desvirginada ao mesmo tempo em que levava aquele homem à loucura. Como se tivesse jogado a inocência e a timidez de antes ao vento, aquela menina passaria toda a manhã nos braços daquele moreno.

Mas o que ambos não sabiam era que, no momento do primeiro beijo, o verdadeiro Breno acabava de chegar no ponto de ônibus. Depois de ver seu irmão se aproveitar de toda aquela história, Breno não era mais um moreno, mas um rio de lágrimas.

* * *
Foto da Capa: Pâmella Gomide.

8 comentários:

Kayo Medeiros disse...

Si-si-fu-fu!

Yeeeeeeaaaaaaaaahhhhhhhhh!

Nathalia disse...

CHOQUEI!

que cara nojento!

Vanessa Sagossi disse...

Ai, meu Pai amado!
Já seria o suficiente se fosse o cara certo, mas ainda era o cara errado!!!
Puts, a mãe dessa menina não ensinou que não se deve falar com completos estranhos, ainda mais deixar entrar em casa! E ainda é um VELHO! E CASADO! Filho da mãee!

Luciano Freitas disse...

Isso é para vocês pararem de pedir "continuação" de histórias acabadas...rs. Se é que isso terá efeito rs.

:)

ALIMAC disse...

Voltei pra blogosfera, e já encontrei um conto maravilhoso seu!

É isso ai, Fabiano.
Ficou 10!

www.teoria-do-playmobil.blogspot.com

Aninha disse...

Poxa vida, um conto tão engraçadinho acabar assim, que maldade!
Sinceramente não sei quem foi pior, se ele ou ela.
Ele foi um safado canalha mas quem é a louca que vai trazendo um cara que nem se conhece pra casa e ainda mais nessas circunstâncias, não importa o encanto que tivesse por ele, ainda sim é um estranho, mesmo assim fiquei com pena dela.

Pâmella disse...

uahuahauhauhauhauhauahuaa...
pow Lu, esculacho, hein..kkkkk...

mas essa menina éh safadinha msm... nada a ver com a dona da capa...=p...kkkkkk

msm assim eu gostei muito..!!!

Livia Queiroz disse...

G-zuisssssss

Caraca c um irmão desse kem precisa de inimigo!
hauhauahauhauahuahaua