quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

CONFLITOS DE CAROLINE 2

Leia Conflitos de Caroline.

Caroline se tornara uma linda mulher. Não era mais aquela menina que aos quatorze sentira medo diante do conflito que era se assumir homossexual – sem contar o fato de constatar na mesma época a, então inexplicável, bissexualidade. Já com seus vinte anos e um domínio mais nítido de seus sentimentos e desejos, Caroline mantinha então um relacionamento de dois anos com Lorena, uma menina que, curiosamente, passara pelos mesmos conflitos adolescentes. A história das duas tratara de uni-las.

Diante da indiferença sempre presente em sua família, a rotina de Caroline e Lorena como namoradas era como a de qualquer namoro heterossexual; cinema, pizza na sala, tudo. Carmem e Hamilton, pais de Caroline, agiam naturalmente, sem muito apego, mas naturalmente. Somente Rodolfo, irmão mais novo de Caroline, é que não aprovava a postura da irmã, mas tinha plena consciência de que nada poderia fazer para mudá-la.

Caroline e Lorena estavam no terceiro ano do curso de Desenho Industrial. Sendo assim, se viam todos os dias, o que não parecia o bastante. A verdade é que o casal se mantinha junto da hora em que acordava à hora de dormir. As duas eram muito unidas.

Mas como em todo casal, o ciúme, mesmo que discreto, se fazia presente em alguns momentos. Caroline, como já disse, era assumidamente bissexual, mas Lorena não, era apenas homossexual. Com isso, a carga maior de ciúme vinha quase sempre de Lorena, que não se conformava com as corriqueiras tentativas de aproximação vindas dos meninos em direção à Caroline.

Caroline era a beleza em forma de pessoa, sempre foi. Vestia-se de forma bastante feminina, fazia questão disso. Vaidosa como a maioria das mulheres, Caroline tratava de seus cabelos lisos com carinho quase materno. Os cortes e penteados adotados por ela faziam a cabeça de qualquer menina que a visse. A pele alva de Caroline dava luz às suas singelas tatuagens, que tomavam pequenas partes de um corpo de curvas perfeitas – daí as aproximações constantes por parte dos meninos.

Lorena, apesar da intensa afinidade com Caroline, na questão estética era o oposto da namorada. Era bonita, sim, mas não dava muita importância à sua própria aparência. Lorena não chegava a ser masculina, mas uma mulher distante dos recursos de embelezamento, talvez. Não usava maquiagem e, na hora de se vestir, preferia o conforto à beleza, sempre. Lorena tinha, sim, um rosto lindo, como o de Caroline, mas sua simpatia não seria capaz de atrair meninos – e nem muitos as meninas, diga-se de passagem.

Um dia, Lorena e Caroline caminhavam pela praia. Caroline usava um biquíni lindo de estampas, enquanto Lorena, um pouco sem sal, preferia um short e uma camiseta. As duas jogavam conversa fora, riam, se divertiam, como sempre faziam no verão do Rio. Até que, para a surpresa de Caroline, cruza o seu caminho aquele que por muito tempo em sua adolescência lhe causou sérios conflitos internos: Alexandre.

Alexandre era o verão, o mar, o Rio, tudo numa só pessoa. Sem camisa, o rapaz exibia um corpo muito bem cuidado e uma cor difícil até de definir. A bermuda trazia o botão de pressão aberto, como se Alexandre estivesse pronto para um mergulho a qualquer momento. Caroline notava que o abdômen do rapaz lhe atraía os olhos como um imã. A jovem sentia então a mesma sensação de anos atrás, quando seu corpo ainda era um poço de mistério; sentia tesão ardente.

- Caroline? – dizia Alexandre.

- Alexandre? Meu Deus... – deixava escapar o entusiasmo Caroline.

- Como você está, menina? – dizia Alexandre a abraçá-la fortemente.

Lorena não demonstrou ciúmes, pelo menos a princípio. Um amigo, o que havia demais? Mas quando Alexandre enterrou o rosto no pescoço de Caroline e suspirou “você está uma gata”, o tempo fechou.

Lorena fazia cara de raiva, a fim de que Alexandre se tocasse, mas em vão. Jamais passaria na cabeça do rapaz que Caroline, aquela “coisinha”, mantinha um namoro com aquela menina ali parada.

Ao se afastarem, Alexandre alisou a bochecha de Caroline como se quisesse constatar a existência de semblante tão perfeito. “Você está tão linda, Caroline”, ele repetia meio abobalhado. Caroline tentava conter as mãos de Alexandre; não queria causar ciúmes em Lorena. Mas o fato é que a mente de Caroline parecia brigar com o próprio corpo, pois a vontade real era inexplicavelmente a de se entregar àqueles braços bronzeados de Alexandre.

- Bem [respira], essa aqui é a Lorena – soltava-se enfim Caroline daquele sonho de verão – Lorena, esse aqui é o Alexandre, um velho amigo.

- Sim. Que ele é um velho amigo seu eu já sei. Mas acho que ele não sabe o que eu sou sua, não é? Esqueceu de dizer? – dizia Lorena com o humor um pouco alterado.

- Ah, sim, que cabeça a minha. Alexandre, Lorena é minha namorada.

- Ah?!

Alexandre se viu boquiaberto. Talvez nem tanto pelo homossexualismo, ali, em carne e osso, mas por ser Caroline, ali, em seios médios e rijos e um bumbum redondo de nádegas que caberiam na medida de suas mãos.

- Namorada, é? Entendi... – dizia Alexandre bastante sem graça – Bem, a gente se vê por aí. Tem MSN?

- Ela não usa MSN – cortava Lorena.

- Seu telefone ainda é o mesmo, Alexandre? – dizia Caroline, para a ira de Lorena.

- O da minha casa é o mesmo. Ainda o tem?

- Sim, claro – dizia docemente Caroline.

- OK. Então me ligue quando puder. Beijos.

Os dois se despediam apenas com um tchau.

Lorena seguia na frente em passadas fortes, enquanto Caroline, coberta não por pensamentos a respeito de seu relacionamento, mas por delírios destinados unicamente ao carinho recebido por Alexandre, seguia levemente atrás.

Seis anos atrás isso lhe provocaria um conflito enorme. Mas Caroline hoje é uma mulher. E como mulher, dominadora plena de seus sentimentos e desejos, sem sequer discutir o assunto com Lorena, tratava de ligar para Alexandre naquele mesmo dia, à noite.

- Alô.

- Alexandre?

- Sim, quem...?

- Sou eu, Caroline!

- Ah! Oi Caroline! Não pensei que ligaria.

- Por que não?

- Sua namorada...

- Esquece isso. Preciso te ver. Preciso de uma coisa que... Por isso te liguei.

- Você precisa de quê?

A madrugada então tratou de fazer o pano de fundo para a reprise de uma cena de seis anos atrás. Um beijo capaz de enlouquecer o mundo se deu sob o calor daquela noite de verão.

Alexandre a tomava pelos braços e mostrava que, definitivamente, não era mais aquele menino de antes. Caroline, adulta, adultera, se entregava de tal forma que se sentia estranha – pensava em Lorena, sim, mas, dominada pelas carícias de Alexandre, se sentia num novo conflito, só que muito mais ardente...

...e prazeroso ao extremo.

* * *
Foto da Capa: Fabiana Romeo.

8 comentários:

Alimac disse...

ahh para! Tadinha da lorena... Ela não merecia ser chifrada, por mais que o alexandre tenha sido um velho amor de carolibe,agora ela tem alguém e e madura o suficiente pra saber isso e acho até que controlar certas vontades. Quanto a própria lorena,gostei dela,acho que outras ou até outros se fosse o caso tb sentiriam ciúmes. Www.teoria-do-playmobil.blogspot.com

FYC disse...

uhuuuuuuuuuuuuul
adorei!
hahahaha

Kayo Medeiros disse...

Muito muito do fundo do baú, nossa. Mas ficou legal. Se ela é bi, pq não ter um de cada? rs...

Vanessa Sagossi disse...

Aii, agora eu quero continuação!!! O que ela vai fazer agora?

Luciano Freitas disse...

Começou... rs

Aninha disse...

tive que reler o primeiro, ja não me lembrava mt bem..
pois é, e agora? temos que saber o que ela decidi.
Acho que o negócio dela é com esse Alexandre msm, depois de tanto tempo ele ainda causar isso nela, é pq ha algo maior entre eles..

Livia Queiroz disse...

Essa Carolina eh uma S@c@n@...

Aff

N gostei dela...
TOmara q Lorena encontre uma muuuuuuuuuuuuito melhor!

Lucas Moratelli disse...

Ah, poxa poxa.
No fundo é só um tentativa de entrar no padrão e ficar livre dos preconceitos. (?)

Ótimo Luciano.
Abraço.