quarta-feira, 1 de agosto de 2012

OS BASTIDORES DOS BASTIDORES: A minha história numa banda de Heavy Metal – Parte IV

Já estávamos em 1999, se não me engano. Por algum motivo, o qual não me recordo, a casa onde a Dark Side ensaiava não estaria mais disponível. Aliás, o meu primeiro ensaio na banda fora em minha casa por conta disso. Acho que tinha algo a ver com o fato do Henrique não fazer mais parte da banda, já que a casa pertencia à família do guitarrista. Precisávamos de um novo QG.

Meu quarto possuía uns 12m2, e meu irmão e eu dormíamos em uma cama beliche. Sendo assim, vislumbrei naquele espaço um estúdio improvisado e sugeri que fizéssemos os ensaios ali. Eu tinha a real noção de que incomodaríamos muito (mas muito mesmo) os vizinhos, mas tal fato não possui peso algum quando você tem dezessete anos e uma banda de heavy metal. Além do mais, minha mãe – talvez a mais afetada com todos aqueles watts de potência – era a favor! E quando nossa mãe está por nós, quem pode contra nós?

Para evitar as horas antes perdidas com montagem e desmontagem de equipamentos, sugeri que deixássemos toda a parafernália armada em meu quarto, full time. Isso ajudou muito na logística da banda, porque podíamos, Renato e eu, em plena semana de provas, por exemplo, sair da escola e irmos direto para a minha casa tirar um som. Estava tudo lá: a bateria de Leonardo, os amplificadores, pedestais, microfones... Não era muito fácil para minha mãe arrumar aquele quarto – as baquetas de Leonardo soltavam serragens por todo o chão enquanto ele tocava, diga-se.

Os ensaios em meu quarto eram bacanas. Tínhamos bastante liberdade e um espaço bem razoável. Isso sem falar do telefone, que mesmo sendo inútil durante o som, – não ouvíamos nada naquele ambiente infernal! –, servia para localizar os atrasados (na maioria das vezes o Leonardo) e até fechar alguns shows, logo após o ensaio. Não, não, o acesso a internet não era assim tão popular ainda. Eu não tinha nem PC.

Com ensaios semanais e uma estrutura mais disciplinada, naturalmente a banda evoluiu bastante. Mas tínhamos um problema: Quem vai cantar?

Sem um vocalista oficial, nos ensaios cada um cantava um pouco. Mesmo sabendo da importância de um frontman, tentávamos não nos preocupar com o desempenho vocal da banda; sabíamos que precisávamos de um vocalista, estávamos improvisando. Nosso foco ali estava na parte instrumental da coisa, que caminhava, lentamente, para o impecável.

Foi quando resolvemos anunciar (não lembro como nem onde) a procura de um vocalista para uma banda de heavy metal. E achamos (não me pergunte como também) o Paulo Mello.

O Paulo era um cara apaixonado por música, uma verdadeira enciclopédia do rock e um buscador incansável por novos sons. Ele era um pouco mais velho que nós, era o nosso Bon Scott. Ele nos apresentou muitas bandas e discos! Paulo já era casado e morava próximo à escola onde Renato e eu estudávamos, ou seja, próximo também ao nosso QG.

Paulo tinha muita influência de Bruce Dickinson e, quando pegou o microfone, acho que pensamos “em uníssono”: “Esse é o cara!”

E realmente era! Gente boa, cantava bem, gostava mais ou menos das mesmas bandas que nós. Mas havia um probleminha com cara de problemão a longo prazo. Paulo, hoje reconheço, estava muito à frente do nosso entendimento de banda. Enquanto a gente se preocupava em tocar “The Prisoner” (Iron Maiden) de forma idêntica, por exemplo, Paulo pensava em composições próprias, afinações alternativas e grooves diferentes – provavelmente influenciado pelo som do Cathedral, banda da qual ele era fã incondicional.

A primeira composição autoral da então Evil Darkness (sim, nós resolvemos mudar o nome da banda, por estarmos a fim de começar meio que do zero, uma "nova banda") foi a balada “Flying To The Sky”, com música minha e letra em parceria com Renato; nasceu numa dessas fugas da escola para minha casa. Mas foi com Paulo que compus nosso primeiro rock de verdade: “Nightlife”, com letra minha (depois adaptada por Rodrigo) e música em parceria com Paulo.

Como Paulo não tocava nenhum instrumento, tudo era “de boca”. Lembro que ele chegava lá em casa e cantava o riff que havia criado e sempre o intitulava de maneira estranha. Por exemplo, o riff principal de “Nightlife” ele chamava de “aranha”, por este exigir que a mão esquerda trabalhe sempre aberta, como uma aranha mesmo.

Um dos riffs de “The Winner” (música composta por toda a banda com letra de Wagner Santos, primo de Rodrigo) que fora inspirado por uma peça clássica mas que não lembrávamos o nome, Paulo chamava de “o guaraná”, porque, na dúvida, achávamos que fosse “O Guarani”, de Antônio Carlos Gomes, a fonte inspiradora.

Eu ria demais com Paulo, este que, apesar de contribuir muito para o crescimento da banda, nunca chegou a fazer um único show conosco. Ele se mostrava sempre muito inseguro, como se não estivéssemos prontos para subir num palco com o novo frontman.

Houve até um a vez em que abriríamos uma apresentação da – novamente eles – Eternal Flame. Seria a estreia dessa nova formação, enfim, a estreia da Evil Darkness. Estava tudo certo, nos preparamos para esse show, mesmo com a nítida insegurança de Paulo.

Mas não rolou.

Não lembro dos detalhes, mas apenas de ver Renato pegar o telefone (sim, aquele mesmo do meu quarto), após uma longa tarde de ensaio, e ligar para Nelson Hortz, a fim de acertar os detalhes do evento.

– Como assim não vai rolar? – perguntava Renato.

Alguma merda eu sei que deu, mas não me recordo qual exatamente. Sei que quem conhece Renato pessoalmente pode bem imaginar qual foi sua reação ao telefone. Notei que Paulo respirou aliviado, mas foi a frustração que tomou conta do restante da banda. Ainda não seria daquela vez...

[Continua]

6 comentários:

Rodrigo disse...

Po, vc só esqueceu de comentar sobre a troca de nome da banda, depois que Paulo entrou. Eu nem me lembro por que mudamos o nome... talvez por conta da saída do Henrique, pois resolvemos renovar TUDO... mas não tenho certeza se foi isso. Caso vc lembre, faça uma citação, por favor.

Outra coisa: o Paulo pode ler isso que vc escreve?? uahauhauhauahuahuahauha

Luciano Freitas disse...

Mas virou Over Action ainda com Paulo?

Rodrigo disse...

Não, cara. To falando de DARKSIDE para EVIL DARKNESS. Rsrsrs
Over Action já éramos apenas nós 4.

Rodrigo disse...

Quero ver a hora que entrar a PA (Andrea). hauhauhauaha Lembra bem dos detalhes?? Rsrsrsrs
Não vejo a hora de ler esta parte! hahahaha

Luciano Freitas disse...

ahuahuahuahua não sei de que detalhes está falando huahuahua

Rodrigo disse...

Nada, cara... bobagem... deixe sua imaginação fluir - musicalmente falando. Muita hora nessa calma... Rsrsrsrs