domingo, 2 de agosto de 2009

OPUS 1 - Parte 2



Todos naquela casa já haviam sido rendidos pelos bandidos; o casal de jovens na sala e os pais de Rômulo no quarto ao lado. O encapuzado chamado de “Um”, que mantinha o revólver apontado para Rômulo e Luana, parecia ser o líder. Era ele quem ditava para onde cada um dos outros três deveriam ir e o que fazerem. A mando deste, “Três” cuidava dos pais de Rômulo, “Quatro” ficava de pé na varanda e “Dois” ia até os fundos averiguar a presença de mais alguém.
- Não há mais ninguém na casa, “Um”! – dizia “Dois”.
- Ótimo! Assuma o lugar de “Quatro” na varanda e mande-o fazer a limpa lá no quarto dos coroas! Rápido!
- OK!
- “Quatro”, mande “Três” trazer os coroas aqui! – dizia “Um”.
- OK!

Luana, deitada, imóvel, era apenas pranto. No chão, sob sua face, se formava uma poça de lágrimas. Rômulo tinha vontade de fazer algo, mas sabia que, naquele momento, nada podia.

Os passos daqueles homens encapuzados e armados andando para lá e para cá causavam certo pânico em Luana; tinha a impressão de que a qualquer momento perderia a vida. “Eles vão nos matar”, pensava a menina, que, por um segundo, virou o rosto. Seus olhos iam de encontro com os de Rômulo.

- Vamos ficar bem! Eu te amo! – sussurrava Rômulo.

Luana nada dizia. Estava assustada demais para emitir palavra sequer, mas entendia a intenção de Rômulo em tranquilizá-la.

- Escute aqui! Isso não é hora para romantismo, OK? – dizia “Um” ao casal.

“Três” chegava à sala com os pais de Rômulo. Eles pareciam tranquilos, mas, provavelmente, procuravam conter o pânico que lhes tomava os corpos.

- Filho, você está bem? Luana... – dizia Jânio, pai de Rômulo.
- Sim, estou! – respondia Rômulo.
- Não quero papo entre vocês, ouviram? – dizia “Um” – Vamos ficar todos bem quietinhos para não mancharmos esse piso tão lindo com o sangue de vocês, OK?

Luana, que até então chorava calada, após tal ameaça, se desesperava. A menina soluçava bastante, parecia estar passando muito mal.

- Acalme-se, meu amor, por favor! Vamos ficar bem! – dizia Rômulo, mas suas palavras pareciam não surtir efeito sobre a menina.
- Levantem-se! Andem! – dizia “Um” – Sentem os quatro no sofá! Já! Vamos!

Os quatro faziam o que “Um” mandava; sentavam-se no sofá. Luana, a última a chegar ao assento, antes que se acomodasse, teve seus cabelos violentamente puxados por “Um”.

- Mudei de ideia! – dizia “Um” – Você vem comigo, menina!
- DEIXE-A EM PAZ! – gritava Rômulo se levantando do sofá – VOCÊ QUER DINHEIRO? PEGUE TUDO O QUE QUISER, MAS NÃO TOQUE A MÃO NELA!
- Quieto aí, seu projeto de herói!
- FILHO DA MÃE!
- Fique de olho, “Três” – ordenava “Um” –, não deixe que eles saiam daqui. Eu já volto!

Para desespero de Rômulo e de seus pais, “Um” levava Luana até o banheiro. A menina tinha sua boca abafada pela mão enorme do assaltante.

Chegando ao banheiro, “Um” jogava Luana ao chão sem a menor piedade. A menina batia forte com a testa sobre a borda do vaso sanitário. O sangue de Luana logo escorria e contrastava com seu alvo semblante. Meio tonta por conta da pancada, Luana ainda tenta se levantar, mas é impedida por “Um”.

- Escute aqui, mocinha! Ou você para de chorar ou eu serei obrigado a fazer o que não gosto! Quero sair daqui tranquilamente com o dinheiro no bolso e sem deixar mortos, OK? E você vai me ajudar nessa, não vai?
- Minha cabeça... – dizia Luana, que parecia mergulhar lentamente num desmaio. Na certa sequer ouvira o que “Um” acabara de dizer.

Minutos depois, “Um” saía do banheiro, fechava a porta com a chave e se dirigia até a sala.

- “Quatro”, já fez a limpa? Quero as jóias! Jóias! – dizia “Um”.
- Sim! Peguei dinheiro, jóias, tudo! Os coroas cooperaram!
- O QUE VOCÊ FEZ COM LUANA, SEU VERME! – gritava Rômulo.
- Não fiz nada, moleque! Digamos que ela esteja dormindo!
- SEU...
- Acalme-se, filho, por favor! – dizia Jânio.
- E se ele fez algo à Luana, pai?
- Não há nada que possamos fazer no momento, filho! Daqui a pouco eles vão embora...

“Um”, usando um aparelho celular, ligava para alguém:

- Estamos prontos! Pode passar! (...) OK! Dois minutos!
- Ele está próximo? – perguntava “Três”.
- Sim! Vamos embora!

“Um” chegava até Rômulo e sua família e:

- Só queríamos o dinheiro! OK?
- Eu só peço que nos deixe em paz! - dizia Jânio.
- E estão! Em paz! Adeus!

O bando se preparava para sair da casa, mas por essa “Um” e seus comparsas não esperavam: um policial passava correndo entre as árvores daquele enorme quintal.

- Merda! Merda! Vocês devem ter dado algum mole! Algum vizinho deve ter visto a nossa entrada! Merda! – dizia “Um” aos outros bandidos – Vamos! Pelos fundos!

No quintal dos fundos já havia três policiais prontos para invadir a casa.

- Merda! Peguem os coroas e o moleque! – dizia “Um” – São reféns agora!

Os policiais posicionados no quintal da frente anunciavam a invasão, mas a paralisavam logo depois de perceberem que Jânio e a esposa estavam sob a mira de “Um” e “Três”. “Dois” e “Quatro” levavam Rômulo até os fundos para impedir a invasão policial por lá.

Com as armas apontadas para a cabeça e diante da paralisação de todos os envolvidos ali, Rômulo e sua família previam uma longa negociação. Dentro de suas crenças, aquela família passava a rezar em silêncio. Menos Rômulo, que não conseguia tirar Luana de sua cabeça. “Como será que ela está? Será que está bem, que está viva? O que aquele miserável fez com ela?”, pensava o rapaz deixando o pranto lhe descer o rosto.

[Continua]

* * *
Foto da Capa: Ana Claudia Temerozo.
Trilha Sonora: Cavalino Rampante - Yngwie J. Malmsteen.
Mais histórias sobre Luana em:
LUANA, DUAS, O NATAL DE LUANA, GISELE, JANEIRO MEU, VERDADES DE LUANA e MINHA PRIMA LUANA.

7 comentários:

Janu disse...

As vezes fico com raiva dessa sua evolução nos contos! ¬¬
rsrs
Até quando esperarei??

Bjokas

Vanessa Sagossi disse...

Aiii... Tadinha da Luana. Só quero ver no que isso vai dar... Beijos!
(:

FYC disse...

aiaiaiai...
será que a própria Luana ligou pra alguém do banheiro? To delirando? haha

^^

Suzy disse...

Seu conto me lembrou bemas histórias e jeito de fazer literatura e cinema no Brasil. uehu
Sem muita fantasia, mas mais perto da realidade.

Aninha disse...

caramba, e agora?!
vc me mata de curiosidade!
coitado deles, de todos, qndo a Luana acordar um monte de coisas já estarão acontecendo, tbm tava pensando que poderia ter sido ela quem ligou para os policiais..
ai ai, tomare que dê tudo certo para eles! :)

bjo

Camis disse...

tensa a história!
To adorando!

www.teoria-do-playmobil.blogspot.com

Livia Queiroz disse...

Nossaaaaaaaaaaa
Quanta tensão.
Quando o cara levou a Luaninha pro banheiro achei que ele fosse violentá-la.
Acho que senti a mesmo dor que Rômulo.

Agora to preocupada pq ela tá la desmaiada!
Affzzz

Malvado vc hein?