quinta-feira, 27 de agosto de 2009

OPUS 1 - Parte 9



Já era noite quando o telefone da casa de Luana soou. Celeste, já pronta para ir embora, ainda fez questão de atendê-lo. “Pode deixar, S. Marcos”, disse ela. Era o pai de Rômulo a fim de falar com Marcos. A empregada sentiu que Jânio trazia certo desespero no falar; pressentia que aquele telefonema não traria boa notícia. Celeste, curiosa, fingia checar algo na cozinha, esperando, assim, Marcos terminar a ligação.

“Meu Deus do céu!”, dizia Marcos com a mão na testa. O tom de sua fala atraia a atenção de Patrícia, que rapidamente ia do quarto para a sala.

- O que houve, Celeste? – perguntava Patrícia.
- Não sei, D. Patrícia. Sei que é o pai de Rômulo quem está no telefone.

Patrícia, vendo os olhos de Marcos se encherem de lágrimas, preparava-se para as piores das notícias. Celeste, diante disso, aguardava, agora sem disfarce algum, o que Marcos teria para contar.

Marcos desligava o telefone. Seu pranto vinha como uma avalanche. Patrícia chegava até o marido e, ainda sem saber o porquê de tal desespero, tentava acalmá-lo.

- Acalme-se, Marcos. O que houve?
- Rômulo, Patrícia! Você não vai acreditar! O garoto foi atropelado e...
- E o quê, meu Deus!
- Morreu na hora, Patrícia! Morreu!

Celeste se sentava em uma das cadeiras da cozinha e, de um jeito muito sutil, chorou. Patrícia e Marcos estavam agora mergulhados em um único pranto.

Luana, no segundo andar, em seu quarto, dedilhava seu violão, enquanto Mimi, como sempre, permanecia deitada sobre a cômoda; numa tristeza fora do comum, a gata olhava para a rua através da janela.

A menina pode ouvir um soluçar que vinha da sala. Não soube distinguir de quem, mas havia a certeza do pranto alheio. Então, largou o violão e desceu correndo.

Diante de Celeste, Marcos e Patrícia às lágrimas, Luana, sem ao menos imaginar os minutos futuros, perguntou:

- O que aconteceu, gente?

Os três se olharam e tiveram a sensação de seus desesperos aumentarem ao cubo. Quem daria tal notícia à Luana? Marcos lembrava-se das últimas frases de Jânio ao telefone: “Por favor, Marcos, dê você essa notícia à Luana. Terás mais tato que eu”. O pai de Luana se via na obrigação de tal atrocidade. Patrícia era a madrasta; Celeste a empregada. Sobrara para ele, como pai, a difícil tarefa de desmontar todo o castelo da filha.

- Luana, minha filha, sente-se aqui – dizia Marcos.

A menina, em passadas lentas, seguia até o sofá.

- O que houve, papai?
- Filha, me promete que será forte?
- Está me deixando preocupada, papai! O que houve?
- Uma tragédia, Luana.

Nesse momento, Patrícia teve suas lágrimas somadas a soluços ainda maiores e, por conta disso, correu para o seu quarto. Não queria presenciar aquele informe catastrófico. Luana observava a fuga de Patrícia e:

- Tragédia com quem, papai? Fale!

Marcos, depois de pausar choro e fala, num único suspiro:

- Rômulo, filha.
- O QUÊ?
- Jânio me ligou agora me dizendo que ele foi atropelado. É tudo o que sei...
- NÃO PODE SER, PAPAI! – gritava Luana – ERA O S. JÂNIO MESMO? NÃO ERA UM TROTE? PODEM SER OS SEQUESTRADORES! OUTROS SEQUESTRADORES, PAPAI! ELES ESTÃO QUERENDO NOS DESESTRUTURAR!

Luana perdia a noção de lógica; sentia-se como se a mente e o corpo estivessem anestesiados. Não conseguia aceitar tal notícia.

- Filha...
- NÃO ERA O S. JÂNIO! RÔMULO NÃO MORREU, PAPAI! ELE ESTÁ EM CASA! VAMOS LIGAR PARA ELE, PAPAI!

Celeste chorava ainda mais diante do desespero de Luana.

- Filha...
- ELE NÃO MORREU, PAPAI! NÃO... MORREU... NÃO... MORREU...
- Fique calma, Luana – dizia Marcos abraçando-a.

Celeste preparava um copo de água com açúcar para a menina, que derramava um pranto feroz sobre o peito do pai.

Marcos a abraçava como que numa vontade de fazê-la sumir em seu corpo, pelo menos por alguns dias. Sumir daquela situação. A filha mal se recuperara de um sequestro e já tinha de encarar a morte trágica de um amor tão significativo.

* * *
Minutos depois, um pouco mais calma, Luana dizia:

- Eu quero vê-lo, papai! Quero ver o Rômulo!
- Filha, ele será sepultado amanhã à tarde e...
- Não quero esperar até amanhã, papai! Quero vê-lo! Saber o que houve, quando, como!
- Jânio só me disse que ele foi atropelado por um ônibus quando vinha da aula de piano, Luana. Eu não sei se conseguirá vê-lo. Depende do estado como ele... ficou...

Luana voltava a chorar e:

- Podemos ir até a casa dos pais dele?
- É mesmo isso o que você quer, Luana? Por que não descansa para amanhã? Os pais dele estarão lá e...
- Tudo bem... Será em que cemitério, papai? Você já sabe?
- Provavelmente no mesmo em que enterramos minha prima Arlete, filha [vide DUAS – Parte 4 – Má Notícia]. Você se lembra?
- Como esqueceria? Foi lá onde conheci Rômulo, papai [vide DUAS – Parte 5 – Tudo Ao Mesmo Tempo].

Luana jamais esqueceria aquela capela e aquele banco de concreto onde se deixara levar apaixonadamente por palavras que culminaram com um beijo; o seu primeiro beijo.

Por mais que a menina já até perguntasse ao pai sobre detalhes do sepultamento, por dentro, ainda não acreditava que não teria mais o carinho de Rômulo. Por momentos chegou até a pensar que tudo aquilo se tratava de uma tristeza que se findaria na sexta-feira, quando Rômulo cruzasse o portão de sua casa. Demoraria até Luana entender que justamente a ausência permanente de seu amor era a causa de seu presente penar.

[Continua]

* * *
Foto da Capa: Ana Claudia Temerozo.
Trilha Sonora: Caprice N.º 4 In C Minor – Paganini.

10 comentários:

Janu disse...

...esse eu comento diretamente a vc.

Genésio Nunes disse...

PERFEITO!

Nathalia disse...

Não gostei e saiba que é muito dificl atender telefone com nó na garganta, viu?

PS.: Não vou poder ir a facul hoje, mas to no grupo de vcs de comunicação comparada, ok?

Luciano Freitas disse...

As "Tias de Luana", pelo visto não gostaram do rumo da história...rs. Devo confessar que por vezes me emocionei ao escrever - principalmente - as partes 9 e final desta série... :(

rs

Vanessa Sagossi disse...

Ah, Lucianoo!
Tadiinha dela..
Ela vai acabar tendo um treco e eu outro aqui...
E ai? Vão vir a tona as revelações do Rômulo? Ou vc matou o unico cara no mundo que podia prestar pra Luana??
heheh
(chata eu..)

bjuh!
(:
continuua..

Aninha disse...

ela reagiu bem melhor do que eu pensava. ._.
Rômulo R.I.P.

jαnα ¦D disse...

Também acho que ela reagiu bem. Ok, não exatamente "bem", mas...
Eu realmente gostei desse novo rumo da história... muito mais dramático e intenso!

Abraços.
='-'=

C. disse...

Ela reagiu bem, mas eu não...Não acredito que você matou o Rômulo ://///

www.teoria-do-playmobil.blogspot.com

Livia Queiroz disse...

poxa

enqnto lia meus olhos enxiam de lágrimas...
vc ta malvaaaaaaaado d+


Cara: VC MATOU RÔMULO!!!

pow Lu

Pâmella disse...

Ela reagiu bem, mas eu não...Não acredito que você matou o Rômulo :///// [2]...kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk


Lu apesar de ter mudado completamente o rumo da historia...ta MARAAA..*-*

e pq Vanessa cisma q ele tem algo ruim??? isso é trauma....kkkkkkk

bjs