quinta-feira, 13 de agosto de 2009

OPUS 1 - Parte 5



Luana estava agora em boas mãos. O Dr. Fernando era um médico muito competente. Seus mais de trinta anos de experiência deixavam Marcos e Patrícia um pouco mais tranquilos em relação à saúde da menina. Aquele senhor de óculos e barba grisalha bem feita passava imediatamente uma sensação de atenção e seriedade para com aquela profissão.

O casal aguardava no hall do hospital quando recebeu telefonema de um familiar de Marcos com a notícia de que o sequestro terminara.

- E então? O que houve? – perguntava Patrícia a Marcos.
- Acabou. Parece que a Polícia executou os sequestradores e...
- E Rômulo? Jânio, Lúcia... Estão bem?
- Sim... Estão todos bem... Graças a Deus! Só Luana que...
- Pare com isso, Marcos! Luana ficará bem também! Você vai ver! Aquilo foi só um corte, ora! Ela perdeu sangue, mas pensemos positivo!
- Fico pensando se um daqueles monstros fez mal a ela? Entende o que quero dizer?
- Estupro?
- É... Não sei o que pensar...
- O médico vai nos dizer, Marcos. Mas, por favor, não se acabe antes da hora!

O Dr. Fernando apontava no fim daquele longo corredor. Marcos se levantava e ia, a passos largos, ao encontro do médico.

- Doutor! Minha filha! Ela está bem? – perguntava Marcos já com os olhos cheios de lágrimas.

O Dr. Fernando ajeitou os seus óculos com toda aquela sua calma, pôs a mão sobre o ombro de Marcos e disse:

- Ela já está acordada!
- Que notícia ótima, doutor! E como ela está? Onde ela está? Quero vê-la!
- OK! Venham comigo.

O Dr. Fernando, durante o trajeto pelos corredores daquele hospital até o leito de Luana, explicava tudo o que ocorrera:

- Um sequestro, não foi? – Perguntava o médico.
- Sim, doutor! – dizia Marcos.
- Então, senhor, a sua filha estava apenas desmaiada por conta da pancada na cabeça. Ainda não conversei com ela e aconselho vocês a também não tocarem no assunto por enquanto. Ela precisa descansar e logo estará liberada.
- Mas, Doutor, foi somente a pancada? Os bandidos a trancaram no banheiro! Tenho medo que eles tenham...
- Não, não... Fique tranquilo. Sabendo da situação, já tomei a liberdade de pedir que a examinassem com esse intuito. Não houve nenhum tipo violência, nada disso. Foi só o corte mesmo. Ela já está com os pontos e um curativo.
- Fico mais tranquilo.
- Imagino.

Chegando ao leito de Luana, Marcos e Patrícia a viam abrir os olhos lentamente. “Papai...”, sussurrava a menina. “Estou aqui, filha. Descanse”, dizia Marcos, que logo pôs suas mãos nas de Luana.

Marcos acariciava o rosto da filha enquanto Patrícia, num pranto de felicidade, beijava aquela cabeça enfaixada. Luana, ainda sob efeito dos sedativos, voltava a sussurrar; perguntava por Rômulo.

- Descanse, filha. Está tudo bem, OK? Estão todos bem... – dizia Marcos à filha.
- Ele... vem... me... ver?
- Sim, claro que vem, minha filha!
- Eu... quero... vê-lo...
- E verá, mas agora você precisa descansar, OK?
- Está... bem...

Luana fechava os olhos. A menina parecia esperar apenas pela notícia de que todos estavam bem para mergulhar naquele sono induzido. Marcos e Patrícia zelavam como dois anjos.

- Vou deixá-los um pouco com ela – dizia o Dr. Fernando –, mas depois terão de sair, OK?
- Tudo bem, doutor! Obrigado por tudo!
- Não me agradeça, por favor. Fiquem bem.

Rômulo via assustado os corpos dos sequestradores serem retirados de sua casa. Ainda não assimilava tudo que ocorrera naquela noite, mas tinha em mente uma única certeza: precisava ver Luana o mais rápido possível. Seus pais eram acalmados pelo restante da família enquanto ele, dando passos em volta do piano, era tomado por um desespero sem tamanho. Um calor em seu corpo o consumia e rasgava rapidamente o frio daquela noite de inverno.

Sem saber exatamente o que fazia, Rômulo sentava-se ao piano e começava a tocar feito um louco. Os policiais que ainda andavam pela casa se calavam para ouvir os sons produzidos pelo rapaz. Os familiares achavam estar diante de um surto e se preparavam para tirá-lo do piano e acalmá-lo. Mas, a pedido de Jânio, o deixavam tocar.

- É o que ele mais gosta de fazer – dizia Jânio – E se ele está fazendo agora é porque precisa. Conheço meu filho.

Rômulo, tomado por um sentimento indescritível, tocou, por mais de dez minutos, melodias inéditas até para ele mesmo. Eram notas pesadas e rápidas; uma mistura ora harmonicamente bela, ora incompreensível entre sons graves e agudos.

Ao fim do último compasso, Rômulo acertava as teclas mais graves com o cotovelo, finalizando assim, intuitivamente, mais um movimento da obra que compunha inspirada em Luana.

Todos ali na casa, mesmo em meio a um cenário de morte e terror, ficavam boquiabertos diante do incrível fato de Rômulo conseguir se excluir do mundo enquanto compunha ou executava uma obra.

Rômulo se debruçava sobre o piano, fechava os olhos e dizia para si mesmo:

- Eu te amo tanto, Luana...

Naquele mesmo momento, no hospital, Marcos e Patrícia presenciavam um sussurrar de Luana ainda em sono profundo:

- Eu também te amo, Rômulo...

Marcos e Patrícia sorriam um para o outro.

[Continua]

* * *
Foto da Capa: Ana Claudia Temerozo.
Trilha Sonora: Moonlight (1st Movement) – Beethoven.

6 comentários:

Aninha disse...

que ótimo que esta tudo bem! :)

- tem algo errado com a trilha sonora, não esta aparecendo mas nos anteriores estava normal, ou será que é só cmg?!


bjos.

Camis disse...

Adorei essa ideia de ler com a trilha sonora, boa iniciativa.

E essa história hein...Mais emoção a cada capitulo!

www.teoria-do-playmobil.blogspot.com

jαnα ¦D disse...

Pra mim também não tá aparecendo...ou talvez esteja e eu não tenha visto :~

Bem, mas o conto tá fofinho. A telepatia amorosa deles até me fez recordar de um filme, cujo nome não lembro agora :p

Abraços
='-'=

Nathalia disse...

ah, to emocionada...
tão novinhos... rs

Vanessa Sagossi disse...

Ahh, que fofinhoo!
"Eu te amo tanto, Luana..."
"Eu também te amo, Rômulo..."
Quee liindooo!!

Se jura que o Romulo ehh perfeiitoo assim?

bjuh!
(:

Livia Queiroz disse...

Ufaaaa!

Que bom que terminou tudo bem...

E que lindo esse conto?
Aiiiiiin O Amoooor!
rsrs

Adorei