quarta-feira, 30 de junho de 2010

LYSA23 - Final

Em algum momento da tarde, Lysa conseguiu alguns minutos de conversa com Fred. Precisava se explicar, ou melhor, tentar alguma explicação diante do flagrante de Fred pela manhã. A verdade é que não havia o que explicar; o Fred viu e pronto. Mas Lysa sentia que devia, fosse como fosse, uma satisfação a Fred.

Antes de chegar à mesa de Fred, Lysa pensava em como começar aquele papo. Assumir a bissexualidade antes de qualquer coisa? Talvez. Sabia que não devia desculpas ao rapaz, até porque foi ele quem “invadiu” sua residência. Mas sabia que tal invasão fora por uma boa causa – Lysa tinha ciência da atual preocupação de Fred em relação à estadia de Adler, um estranho, em seu apartamento.

- Fred, nós podemos conversar agora?

- Claro, Lysa.

- Eu... Eu não sei o que dizer. Morro de vergonha só de pensar, e...

- Não precisa me explicar nada, Lysa. Que isso? Eu é que peço desculpas por ter entrado daquela forma no seu apartamento. Eu não tenho nada com a sua vida.

- É que não queria que você pensasse que eu sou uma depravada, sei lá...

- Lysa, você estava na sua casa, com a sua namorada... Repito: eu não tenho nada com a sua vida.

- Ela não é minha namorada!

- Seja lá o que for, Lysa, não importa. Pelo menos agora eu sei o motivo de nunca me dar uma chance. Eu só não entendi quando me disse que estava “completamente apaixonada pelo homem da sua vida”. Estava falando do tal estrangeiro, não foi?

- Sim, claro! Quer dizer, eu acho. Quer dizer, sei lá...

- Ah... – dizia Fred tão confuso quanto Lysa.

- Fred, aquela menina é uma amiga minha, a Gabriela. Eu... Eu não sei o que me deu naquela hora, entende? Eu sequer sei o que sinto por ela. A verdade é que... A verdade é que não tenho mais controle do que sinto.

- Eu não sei como te ajudar, Lysa. Não sei mesmo. Confesso que tudo isso me confunde.

- Eu imagino, Fred.

- Só acho que você, no fundo, não gosta nem do estrangeiro nem da sua amiga.

Aquela frase de Fred pegava Lysa em cheio. A sinceridade e a serenidade de Fred fazia com que seus olhos enchessem de lágrima. Talvez por concluir, a partir dali, que sua busca insaciável estivesse mais ligada ao sexo que à paixão propriamente dita. O strip em frente a webcam, as masturbações frequentes – tendo ora Adler, ora Gabriela no pensamento –, as noites com Adler, a entrega completa às seduções de Gabriela, os beijos nas boates... “Estou sempre pensando em sexo, essa é a verdade”, pensava Lysa.

- Bem, Fred, eu só espero que esse episódio fique apenas entre nós. Não queria que todo o escritório ficasse sabendo... daquilo.

- Não se preocupe com isso, Lysa. Morreu aqui.

- Posso confiar em você?

- Sempre pôde, Lysa. Sempre pôde.

Os dois se abraçaram, mas, pela primeira vez, se abraçaram com ternura mútua. Enquanto o abraçava, Lysa concluía no quão forte e real era aquele abraço; livre de qualquer maldade, de qualquer intenção que os levassem para a cama horas mais tarde. Lysa sentia um abraço diferente de todos os que já havia recebido, inclusive o de Adler, no aeroporto.

- Fred, eu posso te fazer uma pergunta? – dizia Lysa após o abraço.

- Sim, claro.

- Ainda sente algo por mim?

- Olha, Lysa, eu preciso confessar que, embora não seja contra, aquilo que vi hoje de manhã no seu apartamento me veio como um baita banho de água fria, entende? Ainda é cedo para mentir e dizer que não sinto nada. Ainda sinto, mas quero esquecer, de verdade.

- Eu... entendo. Aliás, eu acho que você e a Tatiana...

- A Tatiana é uma fofa. Quem sabe?

- Torço por vocês.

- Obrigado, Lysa.

Lysa voltava à sua mesa se sentindo um pouco mais leve, mas sentindo também que deixara com Fred um pedaço de si. Parte da confusão havia sido “resolvida”, mas ainda faltava o lado mais complicado de tudo: o que fazer em relação a Adler e Gabriela.

* * *
À noite, Lysa chegava em seu apartamento e encontrava Adler a preparar alguma coisa para o jantar. Por um lado se sentia feliz, por ter, a cada dia, provas da honestidade do alemão, mas sentia uma ponta de tristeza ao concluir, após um beijo, que aquele “fogo internacional” havia diminuído. Talvez por haver entre os dois a mentira, a traição homossexual – ainda mais dura de se confessar –, enfim, por estar sendo desleal àquilo que tantas vezes chamou de amor.

- Está triste, Lysa? – perguntava Adler.

- Um pouco...

- Com o quê?

- Ah, Adler, não sei. Mas me responda uma coisa?

- Diga.

- Sente a mesma coisa que sentia por mim quando chegou ao Brasil?

- Ora, mas não se passou nem uma semana! Claro que sinto! Você não?

- Eu acho que não, Adler. Eu preciso ser sincera com você. Eu... Eu acho que, na verdade, era a distância que me mantinha acesa, entende?

- Mas ontem à noite mesmo você estava, como posso dizer?, morrendo de tesão, Lysa! O que realmente houve?

- Estou confusa, Adler. Muito confusa. Eu... – Lysa respirava fundo – Eu me envolvi com Gabriela, hoje de manhã.

- Como?

- Transamos! Pronto, falei! Gabriela e eu transamos esta manhã. Ela veio aqui, me seduziu, eu não aguentei, caí na dela e...

- Meu Deus...

- E esse meu “não aguentar” é que me deixou tão confusa, Adler! Não quero te enganar, ao mesmo tempo não sei se gosto o suficiente de ti e... Enfim, estou pirando!

A confissão de Lysa fazia até com que Adler deixasse o feijão queimar. O rapaz, embora envolvido até o pescoço com suas pesquisas no Brasil, se via quase que sem motivos para permanecer naquele apartamento. “Essa menina não é normal”, pensava Adler.

- OK, Lysa. Você não me deve explicação alguma. É a sua casa, a sua vida, o estranho aqui sou eu.

- Mas, meu amor, me entenda...

- Só não me chame de amor, por favor, Lysa. Só me dê até amanhã, OK? Eu vou achar um lugar para ficar e está tudo bem.

- Não precisa sair daqui.

- Sim, preciso.

Adler já havia feito alguns contatos no Rio de Janeiro e, após alguns telefonemas, segundo ele mesmo, se hospedaria, a partir do dia seguinte, na casa de um músico que conheceu naquela manhã de entrevistas, na Lapa.

No dia seguinte, antes mesmo do acordar de Lysa, Adler saía de casa levando consigo suas roupas e outros pertences. Sobre o criado mudo de Lysa, deixava um bilhete:

Lysa,

Obrigado por tudo. Cuide-se.

Beijos.

Adler.

Lysa, morrendo de dor de cabeça, acordava, lia o bilhete e, apesar de certa tristeza, sentia um pouco de alívio. “Espero que ele fique bem”, pensava.

Mas restava a última parte de toda aquela confusão: Gabriela.

* * *
Durante todo o dia, Lysa tratou de se “enfiar” nos afazeres do escritório; queria esquecer toda aquela história. Tatiana insistia em puxar assunto sobre Fred com Lysa, mas era, educadamente, cortada por um “depois, Tati, por favor”. Nunca Lysa rendera tanto num expediente. Conseguiu não pensar em sexo, em Gabriela, em Adler ou em Fred.

À noite, morta de cansaço, preferiu não ir à faculdade. Parou num bar e pediu um refrigerante.

Durante os goles, notava que, naquele momento de relaxamento mental, pensava em Gabriela. Os beijos, as carícias e o semblante de Gabriela – naquele misto de sensualidade e deboche – não saíam da cabeça de Lysa.

Até que Lysa sente a presença de alguém a se sentar em sua mesa. Era Gabriela.

- Refrigerante, Lysa? – dizia Gabriela a sorrir.

- Gabriela, sua louca! Quer me matar de susto?

- Estava pensando em mim, não estava?

- Como sabe? – deixa escapar Lysa – Quer dizer, claro que não!

- Ah! Estava! Também só penso em ti, Lysa.

- Ah, Gabriela – dizia Lysa a acariciar o rosto da amiga –, o que eu faço contigo? Diga! O que eu faço?

- Leve-me para sua cama – dizia Gabriela a morder os lábios.

Um beijo lésbico tomou a atenção de todos num raio de metros, de tão intenso. As duas saíram correndo, tomaram um táxi e sumiram. Lysa, no meio daquela empolgação toda, nem notava que, ao atravessar a rua de mãos dadas à Gabriela, esbarrara em um outro casal que:

- Aquela ali não é a Lysa, de mãos dadas com outra menina? – dizia Tatiana.

- Sim, Tatiana, é a Lysa mesmo. Onde vamos jantar? – dizia Fred.

[Fim]

12 comentários:

Aninha disse...

Ainda acho q ela não está mt certa das idéias mas acho q a Gabriela combina mais com o jeito louco da Lysa msm.

Aguardo novos contos! :)

bjs, Lu.

Vanessa Sagossi disse...

Nossa, a vida dessa menina era uma enrolação! E esse final foi surpreendente! Louco! hehhe...
Mais contos²?
Beijos

Nathalia disse...

passada...

que pessoa confusaaaaaa!
realidade de MUITA gente, né?
adoreeeei, lu!
conto super diferente, valeu chegar ate a parte 12!

bjssssssss

Kalina disse...

meu amiigo, essa frieza de Fred na última frase foi peso...conto bom do começo ao fim!

Um beiju Luciano!

DL ;* disse...

saabia que esse conto ia render.. rsrs valeu a pena chegar até o 12º capitulo ;)
final do conto me surpreendeu.. mas eu gostei.. rsrsrs
a gabriela é louca e a lysa tb. só fico triste pelo adler. e ainda bem que o fred desencanou.. ngm merece a lysa nao tava nem ai pra ele.

adorei Luuh, esperando por mais contos.. rsrs


Beeijos

Kayo Medeiros disse...

Cadê, PORQUE A GABRIELA NÃO MATOU NINGUÉM? não gostei. =P

Mas no final ela se rendeu aos desejos, e a gente rica sem saber se ela realmente se arrependeu, ou se decidiu que era aquilo mesmo que queria.

Luciano Freitas disse...

Pois é, Kayo. Esse "sem saber" é que é o bacana! ;)

Obrigado a todos pela leitura! :D

Camys disse...

Elas acabaram juntas *-*
LINDO, LINDO, LINDO, LINDO, LINDO!
Simplesmente lindo. Coisa mais linda que eu já li!

Luciana escreve uma continuação sobre elas *-*
E escreve também sobre a Gabriela, descobertas, amadurecimento e o que fez ela ser tão foda desse jeito!

Anônimo disse...

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